🎧 EP.10 AO VIVO – Peñarol Sapopemba no PodJogar | Resenha pesada direto da ZL

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1. A Fundação do Penharol Sapopemba: De Uma Resenha no Fim de Semana a um Time Campeão

O Penharol Sapopemba é um time que nasceu da forma mais autêntica possível: em uma resenha regada a cerveja entre amigos no final de semana. O presidente Raí conta que a ideia inicial, no entanto, não era para o futebol de campo, mas sim para o futsal. A conversa despretensiosa foi ganhando corpo aos poucos, e quando perceberam, já estavam com o time montado. A data de fundação oficial é 23 de março de 2021, e o primeiro jogo foi um festival (jogo festivo), onde ninguém sabia direito qual posição ocupar, e o uniforme usado era emprestado do patrão de Raí, do time Dragões, nas cores azul e branco — nada a ver com as cores atuais.

O nome Penharol foi uma escolha baseada na atitude do grupo. Raí revela, sem meias palavras, que o time era formado por uma "rapaziada encrenqueira, chata e arrogante", e decidiram adotar o nome do tradicional clube uruguaio Peñarol, conhecido justamente por essa fama de time aguerrido e de personalidade forte. A ideia era ser um time chato de se enfrentar, que não entrega o jogo fácil. As cores amarela e preta vieram naturalmente, inspiradas no clube uruguaio. A princípio, o objetivo era apenas passar o domingo com os amigos, jogar futebol, fazer um churrasco e tomar uma cerveja. No entanto, a paixão falou mais alto, e o Penharol foi se inspirando nos grandes times da várzea da região, crescendo e se estruturando até se tornar o clube campeão que é hoje.

2. Benê: O Capitão do Primeiro Gol e o Amor que Cruzava a Cidade

O capitão Benê é um dos pilares do Penharol e tem uma história de dedicação que emociona. Ele estava nos bastidores quando Raí e Vinícius planejavam montar o time, e foi convidado logo no início. Benê já jogava em outros times da comunidade do Teotônio, mas abraçou o projeto imediatamente. Ele tem um feito histórico: foi o autor do primeiro gol da história do Penharol. O gol aconteceu em um campo de barro horrível na região da Sapopemba (onde hoje será construída uma UPA). Após um cruzamento e um rebote do goleiro, Benê empurrou a bola para as redes. Um presente do futebol.

A dedicação de Benê ao time é um exemplo de amor pelo esporte. No início, ele morava no Morumbi e precisava atravessar a cidade aos domingos, saindo de casa às 8h da manhã e voltando às 18h, sem ganhar um centavo, apenas pela resenha e pela amizade. Ele jura que a cerveja pós-jogo era a única recompensa financeira. Benê afirma que joga em vários times na quebrada, mas que o Penharol tem um espaço especial em seu coração, a ponto de, em jogos decisivos, os atletas saírem de outras partidas atrasados e correrem para defender o clube. Hoje, como capitão, Benê é conhecido por ser "chato", xingar todo mundo e usar a braçadeira na orelha direita, mas sua liderança é respeitada e fundamental para o time.

3. A Torcida Barra Sapopemba: Paixão, Bateria e o Surdo Rasgado na Final

O Penharol conta com uma torcida organizada de nome Barra Sapopemba, liderada por João. João não era ligado em futebol de várzea no início; sua paixão era por times profissionais. Mas ao conhecer Benê e todo o grupo, foi se entrosando, passou a frequentar os jogos e acabou sendo convidado para ser um dos líderes da torcida. A torcida cresceu organicamente: inicialmente eram 10 ou 15 pessoas, mas durante a campanha dos Jogos da Cidade, a presença aumentou. Eles confeccionaram faixas, bandeiras, levaram foguetes, bombas, sinalizadores de fumaça e, o mais importante, ganharam uma bateria graças ao apoio de um parceiro chamado Batata (que também tem um projeto social no bairro, o Azurra).

João conta com orgulho que, na grande final, a torcida adversária tinha cerca de 300 pessoas, enquanto a do Penharol tinha apenas 60. Mesmo assim, a fanfarra do Penharol fazia muito mais barulho. Um dos momentos mais emblemáticos (e engraçados) foi quando, no meio da decisão, a pele do surdo da bateria rasgou. O resultado foi uma sonoridade que todos associaram imediatamente à "banda do Chaves" — aquela música de fundo do seriado. Apesar do perrengue, a torcida não parou de cantar e empurrar o time, provando que o tamanho da festa não se mede pelo número de pessoas, mas pela intensidade da paixão.

4. A Conquista Inédita: Final nos Pênaltis, Frustração e Redenção

O título do Penharol nos Jogos da Cidade foi uma montanha-russa de emoções. A final foi contra o time do Nevoadas, que havia vencido o Penharol na fase de grupos por 1 a 0. A revanche estava posta. O técnico Gil fez uma preleção inusitada no vestiário: ele pediu que todos se concentrassem e, sem dar muitos detalhes, transmitiu uma energia tão positiva que os jogadores sentiram que venceram o título ali mesmo, dentro do vestiário. O jogo em si foi truncado, com o adversário usando a estratégia do "balão para o alto" para levar a decisão para os pênaltis.

A disputa de pênaltis foi um drama à parte. O goleiro do Penharol, Alvinho, pegou duas cobranças, dando a vantagem para o time. Então chegou a vez de Raí cobrar o pênalti decisivo. Ele conta que foi nervoso, algo incomum para ele, que sempre foi frio nas penalidades. No momento da batida, a torcida invadiu o campo, o juiz teve que parar a cobrança, e Raí decidiu trocar o canto. O goleiro adversário defendeu. Raí desabou em lágrimas, achando que havia acabado com o projeto. Foi então que Alvinho, o goleiro, segurou sua mão e disse: "Mano, eu vou pegar e nós vai ser campeão". E pegou. O último batedor do Nevoadas errou, e o Penharol foi campeão. Raí confessou que, mesmo sendo campeão, o pênalti perdido doeu, e ele chorou por três dias. A festa, no entanto, foi histórica, provando que a superação é a maior marca do clube.

5. O Golpe Financeiro e a Virada de Chave: O Caminho para os Jogos da Cidade

Antes de brilhar nos Jogos da Cidade, o Penharol sofreu um duro golpe financeiro. O clube investiu em uma copa organizada por terceiros, onde 48 times pagaram inscrição e taxas de habilitação, totalizando cerca de R$ 118.000,00. O organizador simplesmente sumiu, dando o golpe em todos os participantes. O Penharol estava nas quartas de final dessa competição, com um elenco forte e embalado. O prejuízo financeiro e a sensação de terem sido enganados foram devastadores.

No entanto, foi desse baque que surgiu a motivação para buscar novos horizontes. A inscrição nos Jogos da Cidade foi uma virada de chave, pois o torneio não cobra taxa de inscrição, diferentemente de muitas outras copas. Raí define a competição como um "presente" e um "caminho iluminado" após o trauma do golpe. A estrutura oferecida pela Prefeitura (campos, arbitragem, organização) permitiu que o Penharol, um time de amigos sem grande poder aquisitivo, pudesse competir de igual para igual e, no final, conquistar seu primeiro título. Essa experiência ensinou ao clube a importância de escolher bem as competições e valorizar aquelas que priorizam o esporte e a inclusão em detrimento do lucro fácil.

6. Projetos Sociais e o Futuro: Sonhando com o Pacaembu e a Escolinha

O Penharol tem ambições que vão além das quatro linhas. O presidente Raí revela que já foi procurado por representantes da subprefeitura da Sapopemba para viabilizar um projeto social nos moldes de uma ONG, oferecendo aulas de futebol para crianças da comunidade. Embora a diretoria tenha se mostrado interessada, o grande desafio é a disponibilidade de tempo, já que a maioria dos membros do clube são casados, trabalham e só têm os fins de semana livres. Mesmo assim, Raí mantém o sonho vivo, inspirado em outros projetos de sucesso na região, como o do parceiro Batata (Azurra).

A relação com as crianças da comunidade já é forte. Raí conta que filhos de jogadores e conhecidos pedem para tirar fotos com a camisa do time e pedem para participar dos jogos. Ele mesmo leva sua filha Maria Clara sempre que possível. A festa na sede (uma adega chamada GG) reúne famílias, com churrasco, bandeiras estendidas e muita resenha. O objetivo agora é se estruturar ainda mais para, futuramente, disputar a fase municipal e realizar o sonho de jogar no Estádio do Pacaembu. A torcida promete estar presente, com a bateria reformada (sem surdos rasgados) e com muitos novos integrantes.

7. Perrengues e Resenhas: O Atraso no WO, a Mentira do Zoio e o Idiota do TikTok

Todo time de várzea tem seus perrengues, e o Penharol não é exceção. O presidente Raí relembra o caso do WO (Walkover) na fase de grupos, onde o time chegou atrasado por culpa da administração do campo (vestiário não foi liberado), mas a confusão foi tamanha que a classificação veio com um gostinho de superação. Ele também confidencia que, na segunda rodada, olhou para o vestiário e viu apenas três jogadores, entrando em desespero e pedindo Uber e carros emprestados para buscar os atletas (um abraço especial para o Luan, que faz essas correrias).

Na parte das resenhas, o time é um show à parte. Benê cita o jogador Gui Cachaça (sim, esse é o apelido) como uma figura impagável que faz todo mundo rir, mesmo nos momentos sérios. Outro personagem é o Zoio, descrito por todos como um "mentiroso contumaz" — suas histórias são tão absurdas que beirariam o surreal. Além deles, o time conta com um influencer digital conhecido como "Idiota" (Idiota Corinthiano), famoso no TikTok por suas esquetes. A diversão é garantida nos vestiários, muitas vezes atrasando o início dos jogos. E há ainda a história surreal de uma viagem ao Uruguai para uma final de Libertadores da América, onde o time foi de carona em um jato emprestado, com direito a quase perder o computador de transmissão na imigração. É ou não é um time que tem histórias para contar?

8. O Futuro e o Convite: Bicampeonato, Reforços e Novos Talentos na Bateria

Olhando para a temporada de 2025 (e vislumbrando 2026), o Penharol não quer parar por aí. O presidente Raí já avisou aos jogadores do elenco passado que segurem as propostas de outros times, pois a diretoria se reunirá em breve para montar um elenco ainda mais forte em busca do bicampeonato da regional. A conquista do título trouxe uma visibilidade enorme para o clube na região da Sapopemba, e agora muitos jogadores procuram o Penharol para fazer parte do projeto.

O convite final é para a torcida e para novos talentos: as portas estão abertas. Quem quiser "deixar o currículo na bateria" é bem-vindo para reforçar a fanfarra, que precisa de músicos para evitar que a "banda do Chaves" volte a assombrar nas finais. As redes sociais do clube são @penhaol_sapopema FC para o time e @sapemba para a torcida Barra Sapopemba. A mensagem final é de Raí: "Devagar, devagarinho, nós chega lá". Com o coração, a resenha e a garra, o Penharol promete continuar sendo um time chato e encrenqueiro — mas, acima de tudo, um time vencedor.