Introdução ao Podcast Confissões Consentidas e Apresentação dos Participantes
O podcast Confissões Consentidas, uma produção da comunidade fetichista para o mundo, dá início a mais um episódio. O apresentador, Mestre Cruel, também conhecido como Renan, um homem branco de 34 anos com cabelos castanhos e algumas mechas brancas, veste uma camisa de couro preta sem mangas, dando as boas-vindas ao seu convidado. Hoje, a presença ilustre é de Havok, cujo nome fetichista é Havok.
Havok se apresenta, descrevendo sua vestimenta: um casaco preto sem camisa por baixo, com um harness vermelho. Ele exibe quatro anéis em suas mãos, dois em cada, sendo um no indicador com o desenho de uma coroa, em referência ao seu nome 'baunilha', Arthur, e o trocadilho com 'Rei Arthur'. Outro anel, comprado recentemente, possui um naipe de espadas, representando seu trabalho atual. A conversa é descontraída, e o apresentador brinca sobre a presença de 'peitos cabeludos', convidando os telespectadores que apreciam a característica a se deliciar com o episódio.
A pergunta que dispara a conversa no podcast é sempre a mesma: o que se leria no Wikipedia do convidado. Com isso, busca-se entender a origem, a identificação com a comunidade fetichista e a comunidade LGBT, puxando um papo que se desenrola a partir do começo da história de cada um.
Origens e Descoberta da Sexualidade de Havok
Havok nasceu em São Paulo, na capital, embora tenha passado um tempo em Guarulhos, cidade vizinha que ele brinca ser '10 minutos de casa' e que, por ser fronteiriça, já lhe causou transtornos, como votar em uma zona eleitoral diferente. Ele descreve o local de nascimento como um dos hospitais mais próximos da Sé, o que o torna 'paulistano quase impossível'.
Sua entrada na comunidade LGBT se deu muito cedo, por volta dos 15 ou 16 anos, com o uso de RG falso para frequentar baladas. Ele relembra com nostalgia os espaços que existiam em sua juventude, como o 'bocage', que mudou de endereço e já não existe mais, comparando-o ao que hoje se encontra na Bento Freitas, mas salientando que na época o ambiente era conhecido como GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes).
Quando questionado sobre o momento em que se entendeu gay, Havok descreve um processo dos 13 aos 15 anos. O marco foi um primeiro beijo com uma menina, filha de uma colega de sua mãe, que era professora. Ele conta que a menina, que ele detestava na infância por ser 'metida', o abordou de forma incisiva e o beijou. Naquele momento, ele teve a certeza de que aquilo não era sua praia, confirmando sua orientação sexual.
A Jornada de Arthur para Havok: O Nascimento de um Nome Fetichista
A entrada no mundo fetichista de Havok é algo relativamente recente, datando de cerca de um ano para cá. Ele considera o dia 6 de março como o aniversário oficial de seu nome fetichista, Havok. Foi quando, durante um jantar, seu amigo Subhod sugeriu dois nomes para ele, baseados em um trocadilho com 'Havok' ou 'Rogue'. Havok optou por 'Havok', acrescentando um 'K' no final, o que resultou em uma aliteração com seu nome 'baunilha', Arthur, agradando-o imensamente.
Há uma ética dentro da comunidade fetichista de não perguntar o nome 'baunilha' das pessoas, a menos que elas mesmas o compartilhem. Assim como Mestre Cruel, que só descobriu o nome Arthur depois de muito tempo, as pessoas se apresentam com seus nomes fetichistas, e essa informação é revelada em ocasiões aleatórias.
O Clubinho AS: Um Espaço para Vida Social e Sexual Além do Sexo
Havok é um membro ativo de um grupo chamado 'clubinho', que é um braço de uma produtora de eventos sociais e sexuais chamada 'AS Produções'. A ideia central do clubinho é levar as pessoas a terem vida social para além do sexo, proporcionando primeiras experiências ou experiências que muitas vezes as pessoas não têm por medo ou falta de companhia.
O clubinho organiza uma ampla gama de eventos, incluindo:
- Encontros em cruisings;
- Bares;
- Karaquê;
- Saunas;
- Piqueniques em parques.
Para incentivar a frequência, o clubinho possui um sistema de fidelidade. Em 2026, a campanha é: a cada evento frequentado, o participante ganha uma pulseira laranja. Ao atingir 5, 10 e 15 eventos, ganha-se prêmios como um 'palceira' (Cock Ring), um Tenga, e um masturbador. O objetivo é trazer as pessoas para participarem dos eventos, que já resultaram em casais que buscam novas experiências ou 'marmitas'.
Para participar do grupo de WhatsApp do clubinho, não há mensalidade ou matrícula, sendo liberado para qualquer um que queira participar. O site oficial é clubinhoas.com.br, onde todos os links e informações estão disponíveis.
Desvendando o Nome 'AS' e os Projetos da Produtora
O nome 'AS' vem da junção dos sobrenomes dos fundadores, André Sanchez e Arthur Sanchez (embora haja uma confusão divertida entre André Sobreiro e Arthur Sanchez). O trocadilho também remete ao naipe de espadas, presente no anel de Havok, conectando-se a várias brincadeiras que permeiam o projeto.
Além do clubinho, a produtora 'AS' está desenvolvendo outras iniciativas:
- Privê (ou Priv): Uma experiência mais elevada e exclusiva, focada em eventos sexuais completos, onde os participantes só precisam se preocupar em estar presentes, sem se preocupar com a logística.
- BERE: A parte de roupas da empresa, que será lançada em breve.
- Beabass: Um projeto para trazer pautas relevantes sobre práticas fetichistas específicas, com convidados e oradores para discutir e praticar, funcionando como workshops. A ideia é trazer os 'curiosos' para o mundo dos fetiches, sempre de forma básica e acessível.
O clubinho também possui uma parte paga com clube de vantagens, que fecha parcerias com negócios LGBT para oferecer descontos, sendo a única parte paga do grupo. Os fetiches abordados no clubinho são os mais básicos, uma 'provocação sutil' para quem está começando.
Infância, Adolescência e Influências no Fetichismo de Havok
A infância de Arthur é descrita como um misto de 'quietinho e peste'. Ele conta que 'se perdia em mercado horrores' e era anunciado pelos alto-falantes, mas sempre foi muito afetuoso, característica que sua mãe sempre destacou. É o filho mais novo, com uma grande diferença de idade para suas duas irmãs (que têm cerca de 52 anos), sendo chamado de 'raspa de taxo'. Sua mãe tem 75 anos e fará 76, uma idade incomum para a mãe de uma pessoa de 37.
A relação com a figura paterna é marcada pela ausência: seu pai foi embora quando ele tinha 8 anos, o que o levou a morar em Guarulhos com sua mãe. Por não ter com quem ficar, ele a acompanhava para a escola, o que explica seu convívio no ambiente escolar. O pai é descrito como uma pessoa que 'foi comprar cigarro' e nunca mais voltou, uma situação problemática. Essa independência forçada o ensinou a ser autossuficiente, o que reflete em sua vida adulta, com dificuldade em pedir ajuda até nas menores coisas.
A saída do armário, por volta dos 14 ou 15 anos, foi um evento cômico. Após ir ao cinema com amigos, ele voltou para casa e, ao tomar banho, sua mãe viu uma pluma de uma pena em sua bermuda preta, o que o denunciou. Sua mãe, que havia visto a 'Parada Gay' na TV, o questionou diversas vezes naquela noite até que ele confessou.
Fetiches e Descobertas: Do Mataleão ao Breath Play
Havok reflete sobre suas primeiras experiências com fetiches, que ele identifica em sua infância e adolescência. Uma delas é o Breath Play, que ele descreve como uma história 'louca e irresponsável' de quando era adolescente, em que um amigo o ensinou a técnica para desmaiar pessoas, praticada no Cemitério da Consolação ('já tá pronto' se der errado). Outra influência foi um amigo de infância, hétero, com quem ele brincava de pega-pega, que sempre terminava em um mata-leão, prática pela qual ele ainda hoje sente um 'tesão enorme'.
Inicialmente, Havok não suportava CBT (Cock and Ball Torture), rejeitando até tapinhas, mas hoje, após experiências e com a confiança na pessoa parceira, ele topa 'chute' e outras práticas. Ele se considera um experimentalista e afirma que, se confia na pessoa, topa basicamente muita coisa, embora tenha seus 'hard limits'. Um hard limit é a feminização, embora algumas pessoas possam torná-lo um 'soft' dependendo da relação e da forma como é proposto. Ele brinca que está aberto a experimentar, mas desde que haja consciência, não sendo inconsequente.
Havok enfatiza a importância de ter consciência dos próprios limites para ser um experimentalista saudável, evitando o estereótipo do 'sub que não tem limite' e se torna problemático. A negociação é uma habilidade que ele aprimorou, e ele entende que um 'hard limit' pode ser algo que a pessoa nunca experimentou, mas que, com a confiança certa, pode ser revisitado.
A Importância do Aftercare e dos Limites Pessoais
Em uma discussão recente antes do evento 'Brutos', Havok deixou claro que o aftercare é fundamental para ele. Para uma sessão funcionar, ele precisa de um pós-sessão fofinho, com abraços e colo. Ao se deparar com um parceiro que dizia que, após a sessão, a pessoa deveria simplesmente ir embora, Havok considerou isso uma 'red flag' e afirmou que nunca fariam uma sessão. Ele explicou ao parceiro o conceito de 'gimp', alguém que é apenas para ser usado, sem personalização, o que se encaixava mais no que o outro procurava, mas não no que ele desejava. Para Havok, o cuidado com o parceiro fetichista não se diferencia do cuidado com um parceiro 'baunilha', e a falta de aftercare é um sinal de alerta.
A Vida Afetiva de Havok: Casamento Tóxico e Empoderamento Pessoal
A vida de Havok é marcada por um casamento de 8 anos que ele descreve como tóxico e abusivo, chegando a relatar que foi estuprado pelo próprio marido em diversas ocasiões. Esse período foi tão sofrido que ele o chama de 'Alcatraz'. O casamento diminuiu drasticamente seu interesse por sexo, a ponto de ele passar 4 anos sem nem se masturbar. Após o fim do relacionamento, ele redescobriu uma vida sexual extremamente ativa, que o levou ao clubinho como um espaço para exercer sua sexualidade de forma mais livre e convidar outros a não olharem para isso com tantos tabus.
Havok é uma pessoa que vive com HIV, tendo contraído o vírus com 19 anos. Ele é militante sobre o assunto e fala abertamente sobre isso em todas as suas redes sociais. Ele relembra que, na época em que se casou, o cenário era de terrorismo em relação à transmissão, com pouco conhecimento sobre a intransmissibilidade (I = I). As reações das pessoas ao saberem de seu status eram binárias: ou rejeição violenta ou aceitação exagerada. Essa dificuldade em encontrar um 'meio-termo saudável' para relacionamentos afetivos contribuiu para sua permanência em um relacionamento abusivo. A chegada do PrEP, PEP e novos entendimentos sobre o HIV mudaram completamente o cenário e o empoderaram.
Bate-Bola Rápido: Um Mergulho na Personalidade de Havok
No quadro 'Bate-Bola Jogo Rápido', Havok responde perguntas de forma ágil e sincera:
- Cor vermelha: Não houve resposta específica, apenas uma risada e uma menção de que é difícil.
- Um sonho: Ter uma vida mais estável, longe da instabilidade.
- Um super poder merda: Overthinking (pensar demais).
- O que não pode faltar numa sessão: Aftercare decente.
- Uma pessoa que admira: Madonna.
- Quem o interpretaria num filme: O 'Clone', referindo-se a algo que ele não especifica, mas que a audiência entenderá.
- Indicação de filme: Closer (Perto Demais).
- Prática fetichista que ainda não fez, mas tem vontade: Shibari (amarrar bonitinho com tempo).
Ele responde sobre quem é o Arthur pelo Havok, afirmando que tem dificuldade em dissociar os dois, pois não existe um sem o outro. Arthur é descrito como um cara 'relativamente emocionado, afetuoso', que gosta de cuidar das pessoas e está perto delas, muitas vezes se atrapalhando por isso e 'enfiando o pé pelas mãos'.
Encerramento e Divulgação das Redes Sociais
O episódio é encerrado com agradecimentos e um forte apelo ao engajamento, pedindo que os espectadores curtam, comentem e compartilhem. Mestre Cruel e Havok incentivam o público a seguir as redes sociais do podcast, @confissoesconsentidas, e o site www.mestrecruel.com, onde todos os perfis podem ser encontrados.
As redes sociais e contatos de Havok são divulgados:
- Site do clubinho: www.clubinhoas.com.br.
- Instagram do clubinho: @clubinho_AS.
- Instagram de Havok (fetichista): @PUPHVK.
- Instagram 'baunilha' de Havok: Onde quer que você encontre o nome 'I hate Arial' (em referência à fonte Arial), incluindo Facebook, PSN, etc., é ele.
O apresentador brinca com a possibilidade de aberturas para nudes, e o episódio se despede com a música de encerramento.