Confissões Consentidas - Ep. 32 - Pinky

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Introdução: Quem é Pinky Bruno?

No episódio do podcast 'Confissões Consentidas', o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas a Pinky Bruno. A conversa começa com uma descrição visual detalhada: Pinky tem uma leitura social masculina, barba cheia, alargador de septo em formato de ferradura, dois alargadores assimétricos nas orelhas (um prateado e um preto), regata preta com decote em V preso por um alfinete, unhas pintadas de preto fosco, braços tatuados, uma guia coleira, correntes no pescoço presas por um mosquetão (pesando cerca de 1 quilo) e um moicano rosa/magenta que está precisando de manutenção. Ele tem 32 anos, é da mesma geração de Mestre Cruel, e se identifica como uma pessoa não binária.

Infância, Adolescência e a Descoberta da Sexualidade

Pinky cresceu em Osasco, região metropolitana de São Paulo, em uma família bastante religiosa durante sua infância e adolescência. Ele teve uma descoberta da sexualidade muito precoce: com 12 ou 13 anos, já se identificava como gay, queria fazer 'coisas de gay' e ter amigos gays. Ele foi 'arrancado a força do armário' por volta dos 12 anos, quando a mãe de uma amiguinha da escola ouviu sua conversa sobre um personagem bonito de Harry Potter (o 'ruivinho', Ron Weasley) e foi fazer fofoca para sua mãe. Sua mãe o confrontou, e ele respondeu: 'Mas eu sou mesmo'.

Felizmente, sua mãe era mais protetora do que conservadora. Ela permitiu que ele tivesse as experiências que quisesse, desde que fosse debaixo de sua asa, e chegou a transformar a casa em um 'albergue de acolhimento de jovens LGBTs', adotando todos os amigos de Pinky que tinham problemas em casa. Já seu pai era mais 'brucutu' e, por muito tempo, acreditou que poderia 'consertá-lo'. Eles tiveram um relacionamento ambivalente até a pandemia, quando Pinky (já com 26 ou 27 anos) foi morar com ele em Sorocaba e conseguiram construir uma relação de dois seres humanos, não apenas de pai e filho. Hoje, ambos têm um relacionamento ótimo.

Trajetória Acadêmica: Da Biologia à Psicanálise e Teoria Queer

A trajetória acadêmica de Pinky é marcada por idas e vindas. No colégio, ele queria fazer técnico em propaganda e marketing, mas acabou fazendo técnico em informática (que odiou e nunca exerceu). Na faculdade, queria fazer psicologia na USP, mas só havia opção integral e ele precisava trabalhar, então prestou biologia (curso noturno). Formou-se em biologia e só foi para a psicologia no mestrado. Agora, está no doutorado em psicologia e, paralelamente, terminando uma pós-graduação em psicanálise para mirar na clínica psicanalítica. Ele começou a clinicar no ano passado, conciliando atendimentos de estágio com atendimentos 'solto por fora'.

A Construção de uma Clínica Queer

Pinky critica a psicanálise tradicional, que considera insuficiente para os tempos atuais. Para ele, é necessário interseccionar a psicanálise com a teoria queer – ele estuda Foucault, Judith Butler, Preciado – para fazer uma clínica mais política, cultural, social e atual. Ele argumenta que a psicanálise, se ficar apenas em recalque, pulsão de vida e morte, 'fica rasa'. Sua porta de entrada para a psicanálise foi, na verdade, o livro de Preciado, que ele descreve como um homem trans, psicanalista e crítico ferrenho da psicanálise, que estudou a teoria para poder 'meter os dois pés no peito da Sociedade Francesa de Psicanálise' e denunciar sua incapacidade de lidar com pessoas trans. A inspiração de Pinky é semelhante: dominar a base teórica para poder fazer uma crítica consistente e construir uma clínica que faça sentido para ele.

Descoberta do Fetichismo: Do Exibicionismo ao Pig Play

O fetichismo entrou na vida de Pinky muito cedo, mesmo sem ele saber que tinha nome. Em retrospecto, ele identifica que já era exibicionista na adolescência, adorando se exibir em webcams. Descobriu muito cedo o fetiche em axilas (e daí veio o nome Pinky, como explicado adiante), pelo cheiro, pelo suor, pela 'coisa mais suja' – ele se identifica como pig (porco), adepto do Pig Play.

A pornografia teve um papel fundamental nessa descoberta. Ele foi o adolescente que cresceu com computador, acesso à internet e tempo livre, em uma geração em que os pais não entendiam a internet. Ele consumia produtoras pornôs como a francesa Eric Videos, que gravava em lugares públicos, inóspitos e insalubres, com uma pegada suja e suada. Para ele, aquilo era o que ele queria viver. Além disso, ele frequentava Chat Roulette e Chaturbate nos primórdios da adolescência, e também usava o Orkut para 'fazer e acontecer'.

Os Primeiros Relacionamentos e a Exploração de Fetiches

Pinky destaca que as experiências de BDSM se tornaram mais interessantes, prazerosas e seguras quando praticadas com pessoas com quem ele tinha intimidade afetiva. Teve dois namorados na faculdade que foram marcantes para explorar seus fetiches, incluindo a paixão por cheiros – ele brinca que eram 'dois namorados muito fedidos' que ele adorava. Com o tempo, foi acumulando descobertas: exibicionismo, pig play, cruising, e, o mais recente (durante a pandemia), o petplay.

A Criação da Persona Pinky e o Hank Code

O nome 'Pinky' surgiu quando ele estava criando sua persona canina para o petplay. Em um brainstorm com um amigo, ele consultou o hank code (código de fetiches) e descobriu que o magenta correspondia ao fetiche em axilas. A partir daí, ele adotou o rosa como referência e criou o nome 'Pinky'. A persona cresceu e hoje o Pinky não é apenas o cachorro, mas uma representação da pessoa fetichista, produtora de conteúdo +18 e acadêmica. Ele se apresenta como 'Bruno Pinky Amaral' em palestras, e o nome funciona melhor também por ser neutro em termos de gênero, já que ele se entendeu como pessoa não binária por volta de 2020/2021.

A Entrada na Pornografia como Carreira

Pinky entrou na pornografia por puro desespero. Ele havia acabado de se formar, não conseguia emprego, e a pandemia chegou. Um amigo (Pedro) que já produzia conteúdo para um fansite o incentivou a criar o próprio, juntando suas vertentes de exibicionismo e fetiche. Ele começou pelo Twitter, postando fotos, e o negócio foi crescendo. Ele ressalta que produzir conteúdo adulto exige ser '1000 pessoas em uma': pensar em iluminação, ângulo, edição, teasers, legendas, estratégia de marketing, networking, divulgação. A renda da pornografia foi sua única fonte de sustento até conseguir uma bolsa de doutorado (da CAPES). Mesmo depois da bolsa, ele não largou a produção de conteúdo, pois percebeu que não queria seguir a carreira acadêmica tradicional (como professor pesquisador), mas sim conciliar a clínica psicanalítica com a produção de conteúdo adulto.

Ele brinca: 'Paguem os pesquisadores e paguem seus pornôs também'. Atualmente, ele toca três carreiras simultaneamente: doutorado em psicologia (com depósito da tese em maio), pós-graduação em psicanálise e atendimentos clínicos, e produção de conteúdo adulto. Ele se identifica com a frase de uma amiga sobre ser '100% de tudo', e Mestre Cruel o compara a outras figuras do meio que também acumulam múltiplas funções, como ele mesmo (Mister Fetiche, professor, pesquisador, produtor de conteúdo e dono de padaria).

A Pesquisa Acadêmica: Subculturas e Conflitos com a Orientação

No doutorado, Pinky estuda subculturas (nichos culturais), um campo com pouquíssimos pesquisadores no mundo, sendo suas principais referências dois pesquisadores australianos contemporâneos (Hanfler e Willloughby). Ele tem tido conflitos com sua orientadora, que o veta em alguns sentidos. Por exemplo, ao tentar publicar um artigo com dados sobre preferência sexual, atos penetrativos, promiscuidade e autoestima, ele queria incluir diversas identidades de gênero (homens, mulheres, não binários, travestis) para fazer comparações e trazer um viés político e social. Sua orientadora insistiu para que ele falasse 'só de homens'. Além disso, ela detesta psicanálise, e Pinky prefere que ela nem saiba que ele tem uma carreira paralela nessa área – as duas coisas não se cruzam e não se cruzarão enquanto ele puder evitar.

Apesar disso, Pinky reconhece que sua psicanálise bebe do doutorado, mas o doutorado não bebe da psicanálise. Ele estuda psicologia experimental, que é mais quantitativa e cognitivo-comportamental, enquanto a psicanálise é mais teórica. Ele critica o preconceito dentro da psicologia experimental contra a psicanálise, mas prefere evitar a treta por ora.

Jogo Rápido: Perguntas e Respostas

  • Cor: Rosa (e, quando forçado a escolher outra, roxo).
  • Medo: Solidão.
  • Sonho: Dinheiro.
  • Superpoder: Invisibilidade.
  • Indicação de livro: 'Sou o Monstro que Vos Fala', de Prado.
  • Ator/atriz para interpretá-lo no cinema: Penélope Cruz (ou uma atriz andrógina que ele não se lembra o nome).
  • Idioma que gostaria de falar: Francês (já estudou por um ano e meio).
  • Pergunta que não foi feita mas gostaria que tivesse sido: (ele acha que não, e Mestre Cruel inverte) 'Quem é o Pinky pelo Bruno?'. Resposta: o Pinky é o lado mais destemido, sem vergonha, liberto, brincalhão e divertido. É um filhote (não um cão de guarda), uma mistura lúdica e completamente destemida.

Considerações Finais e Onde Encontrar Pinky Bruno

Pinky deixa suas redes sociais: Instagram como @pinkybruno_ine (com 'y' no final: pinkybruny_ine), onde ele aborda vida noturna, psicanálise e gênero (uma pegada 'clubber'). Ele também tem um perfil de psicanalista: @psicanalisecor-de-rosa. Para conteúdos +18, ele está em plataformas como OnlyFans, Privacy, e JustForFans, com o perfil @kinky chaser (K N K Y C A S E R). Mestre Cruel, por sua vez, pede que o público curta, comente, compartilhe, siga o podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp) e, em caso de queda das redes, acesse o site mestrecruel.com. O episódio termina com a despedida 'Ciao' e a recomendação de comentarem que Pinky é 'yunguiano' (o que ele nega), com a observação de Mestre Cruel: 'Yung é com J'.