Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e o Puppy Grim
No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe o convidado Green (também conhecido como Victor). Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de 33 anos, cabelos castanhos com mechas, vestindo uma camisa de couro roxa. O estúdio hoje está na cor azul, escolhida por Green. Green então faz sua autodescrição: tem 25 anos, é um homem gay, cis, branco, careca e barbudo, conhecido na comunidade como um puppy da raça lobo.
Infância em Cascavel: Escoteiro, Estudioso e o Exemplo Materno
Victor nasceu em Balsas (Maranhão) em 7 de novembro de 2000. Aos 4 meses, mudou-se para Cascavel (Paraná) com sua família paterna, onde passou toda a infância e adolescência. Desde jovem, destacou-se nos conhecimentos gerais, sendo um aluno exemplar e tendo grande afeição pelo lado paterno da família (embora o pai não fosse o melhor exemplo de homem — seus pais nunca foram casados). Seu maior exemplo materno e paterno foi a sua mãe, que deu tudo para ele. Victor foi uma criança isolada, quieta, com dificuldades em habilidades sociais e em falar em público. Sempre se deu melhor com adultos (era o 'querido de todos os professores') e teve poucos amigos, aos quais se agarrou fortemente. Foi escoteiro dos 7 aos 16 anos — um dos pilares da lei escoteira é 'a palavra do escoteiro vale mais que a própria vida'. Ele explica que no Brasil os desbravadores são vinculados à religião, enquanto o escotismo é laico.
Descoberta da Sexualidade e Primeiros Contatos com o Fetichismo
Victor se entendeu gay entre os 15 e 17 anos, quando 'caiu a ficha'. Teve alguns namoros com mulheres, mas nunca relações sexuais — apenas beijos. Suas experiências sexuais começaram aos 15 anos, majoritariamente com homens (ele ainda sente alguma atração por mulheres, mas é majoritariamente androssexual). O fetichismo chegou através de um aplicativo (ele menciona o Grindr, brincando com o 'aplicativo amarelo e preto'). No dia 31 de outubro de 2019 (data marcante), ele fez sua primeira sessão, onde foi apresentado ao mundo do BDSM e do Petplay — sua primeira prática. Foi uma sessão exclusiva de pet, com ele como dog e o parceiro como handler (tutor).
Práticas Fetichistas: Petplay, Shibari, Wax Play e Tickling
Atualmente, Victor gosta de práticas como wax play (cera de vela), shibari (que ele já tinha facilidade por ter aprendido nós no escotismo) e tickling (cócegas) — este último é tão relevante que ele co-organiza a festa TL Party (Tickling Party). No começo, ele tinha receio de spanking, CBT e water sports, mas hoje está 'pegando gosto' por water sports. Sobre o shibari, ele conta que quase sempre dorme durante a sessão: 'o dominador faz e acontece e eu apago'. O parceiro (Playdon) acha hilário e sabe que se amarrá-lo, ele vai dormir. Sobre o tickling, ele explica que a sensação é semelhante a estar preso/amarrado: 'libera muita serotonina. Na primeira edição da festa, fiquei preso na mesa de sinuca e notei que depois de um tempo vira agonia pura — não tem mais risada, é dor e sofrimento'. Ele compara com a técnica de tortura do gojamento (gota d'água na testa).
A Persona Pet: Green, o Lobo Infernal
Victor percebeu que sua afinidade com o petplay já estava 'predestinada' desde a infância: em brigas, ele rosnava, mordia, e a família dizia 'para com isso, parece bicho'. O encontro com o dom que lhe apresentou o petplay foi 'automático — eu precisava disso'. Sua persona Green é inspirada no Black Shuck (ou Green Shuck), uma lenda de um cão infernal ou lobo negro da mitologia e criptozoologia. Ele gosta de mitologia e de 'botar fogo nas coisas', o que converge com a imagem de um cão infernal. Green é primal e pet, mas não é um cachorrinho dócil — é um lobo. Uma regra importante: Green não entra no sexual — em nenhum caso, Green transa. A máscara pode ser usada em contextos sexuais, mas não como a persona Green. Por outro lado, Victor (o humano) faz tudo que Green faz (e mais a parte sexual). No início, Green era silencioso, apenas rosnava ou latia. Com o tempo, ao perceber que também gosta de posições mais dominantes, Victor tornou o Green mais verbal e expressivo.
Hierarquia: Matilha, Alfas e Betas
Victor explica a hierarquia em sua matilha: ele tem dois betas e um dono (que também é pet e handler, alfa). O beta é o segundo em comando do alfa, está acima dos outros e auxilia o alfa quando necessário. As relações são separadas e distintas. Seu dono (Playdon) tem quase uma 'função de avô' na matilha — quando os meninos não conseguem falar com Victor, ele auxilia e cuida deles. Victor se define como pet e primal, não um 'cachorrinho fofinho'.
De Barista e Bartender a Barman da Comunidade Fetichista
Victor trabalhava como barista (formação) e bartender em Cascavel, em uma escala 5x2 (com fins de semana extras). Foi nesse período de exaustão que o petplay o ajudou a 'desligar o cérebro'. Ele se mudou para São Paulo capital em julho de 2025, após fazer uma reserva financeira e se sentir 'saturado do ambiente de barista'. Hoje trabalha como barista em uma cafeteria em São Paulo, mas também é o cohost e idealizador da TL Party (festa de tickling) — a organização é puxada pelo fotógrafo Fit, mas Victor é o cohost. Ele também trabalhou como bartender em eventos fetichistas no Kink Nest (um lounge na zona leste, Parque São Lucas / Avenida Oratório), onde aconteciam festas como a MFP (Mafit Party, de podolatria) e a TL Party.
Sobre Hipnose e Relaxamento Profundo
Questionado sobre hipnose, Victor esclarece que não pratica hipnose erótica, mas tem curiosidade em aprender. Ele dorme facilmente em sessões de shibari ou em algumas sessões de podolatria, entrando em um estado de relaxamento tão profundo que 'apaga'. Ele é cético em relação à hipnose de palco (subir ao palco e ter um orgasmo) — acredita que para funcionar seria necessária uma relação de confiança muito maior e um ambiente de relaxamento genuíno, não uma performance. Ele brinca que 'se fosse fácil, todo mundo faria'.
Jogo Rápido: Azul, Viagem no Tempo e o Paradoxo das Mudanças
No quadro de perguntas rápidas, Victor revela que sua cor favorita é azul (apesar de dizer que ama preto). Uma frase/palavra que usa muito não é uma palavra, mas um som — ele não especifica qual. Seu super poder desejado é viagem no tempo. Como super poder 'inútil', ele escolheria flutuar copos (o apresentador observa que ainda daria para ganhar dinheiro com isso). Para interpretá-lo em um filme sobre sua vida, ele não pensa em ninguém — o filme seria baseado em seu ponto de vista. Seus filmes favoritos são Contos de Beedle, o Bardo (livro) e Jumanji (filme). Sua banda/música favorita é Linkin Park, com destaque para a música 'Emptiness Machine'. Ele não mudaria nada significativo em sua história, apenas 'pequenas coisas que causariam estrago na linha do tempo'. Victor define a relação entre Victor e Green: 'Victor é alguém muito retraído que precisava se soltar mais — e é por isso que eu (Green) estou aqui'. Mestre Cruel nota que Victor pareceu 'super solto' hoje, e ele atribui isso ao Green.
Considerações Finais e Redes Sociais
Victor divulga seu Instagram: @puppy_grim. Mestre Cruel divulga @confissoesconsentidas, @domcsp e o site www.mestrecruel.com.