Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e o Convidado Marcelo Bailxo Russo
No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe Marcelo Bailxo Russo, também conhecido como 'Boy Lixo'. Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de 33 anos, 'bem gordinho', usando uma camisa preta de couro com detalhes em vermelho — um código de vestimenta associado ao fisting. Marcelo, então, se descreve como um homem branco de 40 anos, cabelo claro, camisa preta, com o 'corpo de um homem de 40'.
Quem é Marcelo Bailxo Russo? Publicitário, Fotógrafo, Ator e Cineasta
Marcelo conta que, se houvesse um verbete sobre ele na Wikipédia, reuniria muitas facetas: já foi publicitário, fotógrafo e ator de teatro. Mora em São Paulo há cerca de 15 anos, sempre no centro da cidade, que ele compara a Roma — 'todos os caminhos se cruzam por ali', com diversas tribos e bolhas. Atualmente, ele se dedica a documentários e à produção de filmes adultos com alta qualidade estética e narrativa, através de seus dois selos: Boy Lixo (conteúdo mais amador) e Russo Filmes (curtas com sexo, roteirizados e com produção elaborada).
A Origem do 'Boy Lixo': Publicidade, Pandemia e Estética Violenta
O nome 'Boy Lixo' surgiu na pandemia, quando Marcelo se viu desempregado (nenhuma agência contratava). Ele observou o mercado de pornografia e identificou uma lacuna: 'muita gente fala que ama os filmes da Bacchi porque os meninos são lindos, mas as transas são merdas'. As pessoas queriam uma 'pegada' mais intensa, com estética. Como publicitário, ele criou esse 'produto' para se sustentar: uma linha de conteúdo adulto com estética eurocentrada, tempero brasileiro e pegada violenta. O nome veio da ideia de que 'todo mundo quer se casar com um príncipe, mas ninguém resiste a um boy lixo'.
Fetiche como Parte da Vida, Não como Exceção
Marcelo faz uma reflexão importante: ele não considera suas práticas como 'fetiche', porque elas fazem parte do seu dia a dia. 'Fetiche para mim está ligado a uma coisa proibida, fora do comum. O fisting nunca foi um fetiche para mim — era parte do sexo. A dominação não era fetiche, era parte de quem eu sou. Eu só descobri depois que essas coisas tinham rótulos.' Ele também se define como homem bissexual, destacando que essa é a orientação sexual mais difícil de se entender e ser aceito — 'nem os gays, nem os héteros, nem os próprios bis'.
A Relação com a Dor, a Luta e a Dominação
Marcelo pratica jiu-jitsu e muay thai. Ele usa uma metáfora das lutas para explicar sua dinâmica de poder no sexo: 'quem luta gosta de apanhar e gosta de bater, senão não estaria na luta'. No entanto, ele afirma que não gosta de apanhar, mas gosta da briga — do jogo de tensão. Ele não se sente confortável batendo em alguém mais fraco ('parece que estou abusando de alguém'), mas quando o parceiro é mais forte ou igual, há um jogo primal de caça e caçador. Ele já experimentou a inversão de papéis (ser submisso), mas descreve como 'ensinar um elefante a dançar balé — é muito fora da natureza da pessoa'.
Russo Filmes: Quando o Pornô Encontra o Cinema de Ação
Marcelo começou fazendo vídeos amadores, mas seu olho treinado em criação não suportava imperfeições visuais ('tá torto', 'cueca não pode ficar em cima da cama', 'almofada não combina com o olho do menino'). Ele decidiu então fazer o pornô que ele gostaria de ver, com ação, história e iluminação bem feita. 'Se eu gosto de ver o Michael Bay explodindo helicóptero, como trazer isso para o sexo?' Um exemplo é o vídeo com Fernando Bruto, que se passa no Oriente Médio, em um cativeiro, com helicóptero. Seus vídeos têm selos distintos: conteúdo amador vai para o site do Boy Lixo; curtas roteirizados com sexo vão para a Russo Filmes.
Público Europeu e a Descoberta do Próprio Mercado
Inicialmente, Marcelo estava apenas no Onalplay (rede brasileira) e via que suas assinaturas eram baixas porque fazia 'coisas para si mesmo', não o que o público brasileiro queria (como 'bater punheta com vassoura atrás'). Um namorado o aconselhou: 'você não é para o Brasil, é para a Europa'. Quando conseguiu se cadastrar em plataformas internacionais, o jogo virou. 'Você tem que nadar onde te cabe. Se está nadando num rio e não está legal, talvez você seja de água salgada.'
Documentário sobre Chemsex: Dificuldades e Coragem
Marcelo está produzindo um documentário sobre chemsex (sexo associado ao uso de drogas) em São Paulo. Ele destaca como foi difícil conseguir participantes dispostos a aparecer de rosto limpo — 'as pessoas têm medo de dar a cara para bater'. Ele impõe uma regra: 'nos meus pornôs e no meu documentário, todo mundo tem que mostrar a cara. Não trabalho com quem se esconde'. Conseguir diversidade também foi um desafio — muitos negros e mulheres negras recusaram, e o elenco final ficou majoritariamente composto por homens brancos (e uma professora trans). O documentário está em fase de reedição para se tornar comercializável (possivelmente para a Netflix).
Longa-Metragem sobre 'Boy Lixo' e Prêmios
Em primeira mão no podcast, Marcelo anuncia que um cineasta está desenvolvendo um longa-metragem sobre a história do 'Boy Lixo' (nos moldes de 'Bruna Surfistinha'). O projeto já ganhou dois prêmios de incentivo (via Proac), e Marcelo atuará como ele mesmo ('quem melhor para me interpretar?'). O filme terá cenas de sexo — 'sexo de cinema, com tapa-sexo' — e contará com participações de nomes como Fernando Bruto. Marcelo também está envolvido no roteiro, na fotografia (fez o pôster) e na edição.
Performatividade, BDSM e Consentimento na Tela
Marcelo diferencia sua atuação em performances para festas (onde o olhar é para o terceiro, para a plateia) de sua prática sexual privada. Ele não faz 'coisas fake' — se é para bater, bate de verdade, com risco. Ele cita um vídeo em que deu um tapa no rosto de um rapaz que ficou com o olho roxo; o que o vídeo não mostra é ele perguntando imediatamente 'você está bem?', e a resposta 'pode continuar'. Marcelo critica a ausência de representação do consentimento e do aftercare nos vídeos pornôs, e relembra que o produtor Blessed (EUA) teria removido muitos de seus vídeos de dominação por não mostrarem o consentimento explicitamente, o que levou fãs a acharem que não havia negociação.
Jogo Rápido: Cinza, Belle e a Fera e Super Poder de Voar
No quadro de perguntas rápidas, Marcelo revela que sua cor favorita é cinza. Seu filme favorito é 'A Bela e a Fera'. Seu próprio filme favorito (entre os que produziu) é 'Invejion', com Fernando Bruto. Para interpretá-lo no cinema (se não fosse ele mesmo), escolheria Jeremy Renner (Gavião Arqueiro). O livro que recomenda é a graphic novel 'Habibi', que considera 'a história mais linda que já vi'. Se pudesse mudar algo no passado, diria a si mesmo: 'se permita mais, se importe menos com as pessoas'. Seu super poder escolhido é voar. Como super poder 'merda', ele hesita, mas menciona 'fazer gelo' (entretanto Renan argumenta que isso é útil). Por fim, Marcelo se define como: 'um cara que aprendeu muito caindo e que se levantar e cair faz parte do processo. Um cara que gosta de arte e de filme de ação, de meninos e meninas, de sexo forte e de ficar deitadinho carinhoso no sofá vendo série. Um cara sem preto e branco, cheio de tons de cinza'.
Considerações Finais e Redes Sociais
Marcelo divulga suas redes: no Instagram, @marcelo.russo (o 'cara por trás do boy lixo'); no X (antigo Twitter), @boylichorusso. Seus sites: conteúdo amador em www.boylixo.com; conteúdo elaborado em www.russofilmes.vip. Linktree: linktr.ee/boylixo. Mestre Cruel divulga @confissoesconsentidas, @domcsp e o site www.mestrecruel.com.