Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e o Produtor JP
No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe JP, produtor da famosa festa Hole. Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de 33 anos (quase 34), usando uma camisa de couro preta de manga longa com detalhes em vermelho. JP, então, faz sua autodescrição: homem branco cis, usando regata preta, bermuda de oncinha, cabelo raspado, piercing no septo e nas orelhas. Ele comenta que seu visual muda frequentemente — já pintou o cabelo de várias cores e fez estampa de oncinha.
Quem é JP? Ator, Músico, Designer e Produtor de Eventos
Se o nome de JP fosse jogado no Wikipedia, apareceria sua carreira como ator (participou de curtas-metragens), músico (tem um cover de funk carioca no Spotify) e, atualmente, produtor de eventos. Ele é o criador da festa Hole, que acontece no Rio de Janeiro há 10 anos e em São Paulo desde o ano anterior à gravação. JP se descreve como 'bem low profile' em relação à festa — não gosta de 'dar carteirada' e evita a palavra 'dono', preferindo dizer que 'produz' a festa e que os verdadeiros donos são as pessoas que pagam e vivem aquele momento. Carioca, estudou em colégio católico dos 6 aos 17 anos ('não adiantou muito'), formou-se em design gráfico e trabalha como designer freelancer para si e para amigos.
Infância, Escola e o Despertar da Sexualidade
JP era um bom aluno, sempre de notas boas, e só ficou em recuperação no segundo ano do ensino médio. Gostava de conversar com todos na sala e tinha muitos amigos. Ele sempre foi 'visivelmente gay' (principalmente pela voz e jeito), e as pessoas sabiam antes mesmo dele. No entanto, nunca sofreu muito com bullying — em parte por falar com 'pessoas estranhas' também e por ter vários núcleos de amizade. Ele fez teatro por 9-10 anos no colégio, o que naturalmente o aproximou de outros LGBTs. JP foi o primeiro de sua série a se assumir para amigos e colegas, mas no terceiro ano (17-18 anos) ainda havia pouquíssimas pessoas abertamente LGBT na escola. Ele se entendeu gay com certeza aos 15 anos, quando deu seu primeiro beijo em outro homem e começou a frequentar boates com carteirinha falsificada. Antes disso, ele era BV (nunca tinha beijado ninguém) e se sentia rejeitado por meninas; na primeira festa gay, 'passou o rodo' em 15 pessoas. Aos 13-14 anos, já assistia pornografia na internet precária da época (Chat Wall, Paparazzo, G Magazine) e vivia o medo de esquecer de apagar o histórico — um dia pesquisou 'Alexandre Frota pelado' e a mãe encontrou. Ele deu a desculpa de que queria comparar o tamanho do pênis.
Família, Aceitação e o Dilema de Contar a Verdade
JP conta que saiu do armário para o pai aos 15 anos, por acreditar que ele seria 'mais de boa' e porque odiava mentir sobre onde ia e com quem estava. O pai chorou abundantemente, ficou muito triste (não bravo) e preocupado com o sofrimento que o filho poderia enfrentar. JP se arrependeu de ter contado tão cedo. Para a mãe, ele contou apenas aos 18 anos, durante uma viagem a Londres, após ela dar um ultimato sobre ele nunca ter levado namorada para casa. Foi mais tranquilo porque ele voltou para o Brasil e ela ficou em Londres, dando tempo para cada um digerir o momento. Hoje, ambos são 'super de boa' — já receberam namorados em casa, e o pai já comprou maquiagem para ele quando se montava de drag queen (até 2019). JP, no entanto, não conta sobre a festa de sexo: 'nossos pais não precisam saber de tudo que rola nas nossas vidas'. Ele mantém duas contas em redes sociais: uma com fotos de cachorros e Natal em família, e outra para o resto. Seu argumento é que os pais, quando jovens, não tinham Instagram mostrando tudo o que faziam — então a relação deve manter essa distância saudável.
Fetichismo: Do Tumblr à Criação da Festa Hole
O primeiro contato de JP com o mundo fetichista foi através do Tumblr, onde ele via homens gostosos, peludos, com harness e couro — algo que não existia no Brasil na época (ele tinha 15-16 anos). Sua relação com o fetichismo é muito visual, ligada a roupas, couro, arreios. Ele foi descobrindo novas práticas naturalmente, e a vida foi trazendo amizades que compartilhavam desses gostos. Começou a fotografar festas, depois aprendeu a tocar como DJ. Sua primeira festa produzida foi para fãs de drag queens e de RuPaul's Drag Race, chamada 'Extravaganza', que se tornou fixa no TV Bar (infelizmente fechou na pandemia). O gerente do TV Bar propôs que JP criasse uma festa 'tipo a Infame (festa burlesca e disruptiva), só que mais gay'. JP, que já era 'cronicamente online', conhecia as festas de São Francisco (como a Bulg) e as de São Paulo (Popcorn, Kink). Ele propôs uma festa realmente livre, onde as pessoas pudessem transar na pista — algo que não existia no Rio na época (não havia nem cruising). O nome Hole (buraco em inglês) veio de uma brincadeira com 'asshole', mas também remete a 'rabbit hole' (toca do coelho). O logo é um coelhinho, e JP brinca com a semiótica: 'coelhinho adora um buraco'.
A Música da Hole: Pop Remixado e Nada Monótono
JP não gosta de música eletrônica sem vocais ou só instrumental — considera 'chato e monótono'. Por isso, na Hole toca house e tech house com remixes de música pop, com vocais reconhecíveis de divas como Lady Gaga. A noite começa em um eletropop 'radiofônico' e vai progredindo para o tribal (gênero controverso, mas que JP ama). Sua filosofia é que a música deve ser boa tanto para dançar quanto para transar — se for boa só para transar, quem goza rápido vai querer ir embora.
Inclusão, Consentimento e a Cultura da Pista
A Hole é uma festa inclusiva (não é 'men only') — mulheres são bem-vindas, assim como qualquer pessoa que queira se divertir sem atrapalhar a diversão do outro. Ninguém é obrigado a tirar a roupa ou transar. A festa tem performances explícitas e eróticas (como fisting com Fernando Bruto, performances com velas, sex machine) justamente para 'dar um empurrãozinho' — mostrar que é permitido. JP observa uma diferença cultural entre Rio e São Paulo: no Rio, as pessoas são mais 'quietinhas' e precisam de performance para se soltar; em São Paulo, 'o povo se joga super' e transa na pista naturalmente. Ele incentiva que as pessoas transem na pista (não no banheiro), para deixar o banheiro livre para quem só quer mijar. A única restrição clara é que práticas que afetem terceiros sem consentimento (como scat, ou qualquer coisa com cheiro forte que possa atingir quem não consentiu) devem ser feitas em espaços específicos.
Edições de Carnaval: Amigos do Coelhinho, Hole Hardcore e Bonito de Cu
JP anuncia três edições especiais de carnaval:
- 13 de fevereiro (sexta de carnaval) no Rio: tema 'Amigos do Coelhinho' (inspirado no bloco 'Amigos da Onça'), com estética de animais e animal print. A festa começa à noite e vai direto para o bloco de rua 'Amigos da Onça' no sábado de manhã (6-7h).
- 16 de fevereiro (segunda de carnaval) no Rio: tema 'Hole Hardcore Carnaval' — a edição mais pesada, com fisting quádruplo ('centopéia humana de fisting'), sex machine e performances mais ousadas. O tema é o 'imaginário do sexo': látex, couro, correntes, metais.
- 20 de fevereiro (sexta pós-carnaval) em São Paulo (Fábrica, Barra Funda): tema 'Bonito de Cu' (inspirado no bloco 'Bonitos de Corpo'), com estética fitness anos 80 (neon, Olivia Newton-John, shortinho cavado, meia alta, viseira, munhequeira).
Jogo Rápido: Laranja, Medo de Morrer e Superpoder do Cu
No quadro de perguntas rápidas, JP revela que sua cor favorita é laranja. Seu maior medo é morrer. Seu sonho é viajar o mundo com a sua festa. Como super poder, ele gostaria de dinheiro infinito (estilo Batman/Homem de Ferro). Como super poder 'merda', ele brinca com um poder da série The Boys: o cu se expande eternamente para que pessoas possam entrar dentro dele e se esconder — ele acharia útil para sofrer menos com penetração (embora reconheça que para quem está assistindo, o sofrimento pode ser gostoso). Por fim, ele define JP pelo JP como: 'um multiartista, meio maluquinho, muito dedicado, fetichista, mas que apesar de ter cara de mal, é muito fofinho e romântico no fundo'. Ele admite que as pessoas o acham com 'cara de mal' (comparado a Rafa Shalub), mas que no fundo é romântico.
Considerações Finais e Redes Sociais
JP divulga suas redes: no Twitter e Instagram como @jputs (com quatro 's'?). Ele não está no TikTok ('velho mentalmente'). A festa Hole está em @festahole (Instagram e Twitter). Mestre Cruel divulga @confissoesconsentidas, @domcsp e o site www.mestrecruel.com, além da rede social fetista brasileira Kink Grun.