Introdução: A Inteligência Coletiva como Essência da Asug
Em um bate-papo especial para a Asug News edição 100, a diretora de educação da Asug, Ana Paula Corazzini, recebe três coordenadores de grupos de estudo (SIGs) para discutir como a troca de experiências, o networking e o conhecimento compartilhado se transformam em inteligência coletiva. Os convidados, Mauro, Paulo Cruz (coordenador do SIG Grow e Business One) e Donato Locaspi (coordenador do SIG de Recursos Humanos), compartilham suas vivências e destacam o papel fundamental da comunidade na aceleração do aprendizado, na redução de custos e na evolução das soluções SAP para a realidade brasileira.
Aprendizado em Comunidade: O Valor do Coletivo sobre o Individual
Donato, com mais de 22 anos de coordenação do SIG de RH, inicia a conversa destacando como a comunidade permite que as empresas compartilhem suas necessidades e influenciem o desenvolvimento de soluções pela SAP. Ele explica que, ao longo dos anos, o SIG atuou como um canal direto com a equipe de desenvolvimento da SAP em São Leopoldo, ajudando a moldar funcionalidades que fossem plenamente aderentes às necessidades das companhias brasileiras, especialmente no que tange à legislação trabalhista e fiscal.
Paulo Cruz complementa, afirmando que a comunidade é essencial para evoluir soluções do dia a dia. Ele cita a frase 'Nada se cria, tudo se evolui' como um lema para o trabalho colaborativo, ressaltando que o benchmark entre empresas acelera decisões e evita erros, criando um ciclo virtuoso de aprendizado.
O Custo de Aprender Sozinho
Mauro Ferraz aborda um ponto crucial: o custo mais alto de tentar resolver tudo sozinho não é financeiro, mas o custo do tempo. Ele explica que o aprendizado individual pode levar a caminhos longos e dolorosos, enquanto o trabalho em grupo, proposto pelos SIGs, traz clareza, definição e padronização, acelerando o conhecimento e tomadas de decisão. O tempo, como bem mais valioso, é otimizado quando se aprende com a experiência alheia.
A Evolução dos SIGs: De Fóruns Técnicos a Ecossistemas de Conhecimento Aplicado
Paulo observa que os SIGs evoluíram de simples fóruns técnicos para ecossistemas de conhecimento aplicado. Hoje, eles dão voz a temas que, individualmente, não seriam priorizados pela SAP, e as discussões geram insights que se transformam em cases e melhorias reais. A demanda dos participantes também mudou: eles buscam não apenas conteúdo técnico, mas também um entendimento mais profundo dos problemas e soluções, demonstrando uma maturidade que fortalece o grupo e difunde conhecimento de qualidade.
O SIG Grow e Business One: Atendendo Empresas em Crescimento
Paulo destaca a importância do SIG Grow e Business One, criado há cerca de 4 anos para atender empresas em crescimento. Ele ressalta que esse nicho específico enfrenta desafios únicos, e a troca de experiências entre empresas similares é valiosa para encontrar atalhos e soluções práticas para o dia a dia.
O Desafio das Equipes Reduzidas e do Turnover
Donato traz à tona um problema recorrente nas empresas: a redução de equipes e o alto turnover. Ele observa que equipes cada vez menores e a dificuldade de reter conhecimento são riscos significativos, especialmente em sistemas complexos como o SAP, onde o aprendizado é demorado. Quando um profissional com conhecimento profundo sai, a empresa muitas vezes não consegue repor com a mesma qualidade, e o ciclo de conhecimento é quebrado.
Outro ponto crítico é a pressa das empresas em contratar profissionais 'prontos', ignorando o tempo necessário para formação. Donato alerta que essa abordagem gera riscos operacionais e pode levar a soluções mal implementadas, com impacto direto na qualidade e na credibilidade do sistema.
A IA e a Nova Fronteira do Aprendizado em Comunidade
Ana Paula provoca o grupo sobre o impacto da inteligência artificial no aprendizado em comunidade. Mauro enfatiza que, com as mudanças aceleradas e as novas parcerias da SAP (como com Cloud, Antropic e N8N), aprender em comunidade se torna ainda mais importante para ganhar tempo, acelerar o aprendizado e entender quais caminhos a maioria das empresas está seguindo.
Donato compartilha sua experiência pessoal com IA, destacando que ela tem sido uma grande aliada para otimizar o tempo em equipes reduzidas. No entanto, ele faz uma ressalva: embora a IA acelere respostas, ele sente falta das interações humanas, que são mais ricas e profundas. Ele revela que prefere uma conversa bem feita a uma pergunta para uma inteligência artificial, valorizando as relações pessoais e a troca genuína de ideias.
Casos Reais que Mudaram Visões e Decisões
Donato compartilha um dos momentos mais marcantes de sua trajetória na coordenação do SIG: a busca por soluções que atendessem a todos os segmentos de negócio, desde siderurgia até agro e bancos. Esse esforço pluralista levou a SAP a desenvolver soluções que fossem aderentes a diferentes realidades, e o trabalho colaborativo com o SAP Labs Brasil ajudou a criar um roadmap de entregas mais palatável e inteligente.
Paulo também relata um caso prático em que, devido à sua participação na Asug, foi procurado para resolver um problema de acesso crítico. O problema, específico e complexo, foi resolvido rapidamente graças ao network e ao conhecimento adquirido na comunidade, reforçando a importância dos SIGs para as empresas ativas.
O Futuro do Aprendizado Colaborativo: O Diferencial das Empresas
Na reta final, os convidados refletem sobre o que vai diferenciar as empresas que adotam o aprendizado colaborativo daquelas que permanecem no individualismo. Mauro aponta a qualidade da informação como o grande diferencial. Em comunidade, a velocidade e a padronização do conhecimento geram oportunidades para análises mais profundas e para a resolução de problemas complexos.
Paulo destaca que, embora a IA seja uma ferramenta poderosa, ela ainda tem vieses e limitações. Os grupos de estudo são o espaço onde as informações são filtradas, canalizadas e validadas por profissionais experientes, garantindo que as decisões finais sejam tomadas com base em conhecimento compartilhado e não apenas em respostas automatizadas.
Donato encerra com uma mensagem de otimismo: a comunidade Asug tem mostrado, ao longo de todos esses anos, que o coletivo é muito melhor e mais profícuo do que o individual. Ele celebra o modelo híbrido de reuniões, que permite a participação de empresas de todo o Brasil, e reforça que a produção de material bem elaborado e o engajamento da SAP são evidências de que a comunidade está no caminho certo.
Conclusão: A Força da Comunidade Asug
Ao final, Ana Paula agradece os convidados e reforça o papel fundamental de cada coordenador para que a Asug continue sendo uma referência para a comunidade SAP no Brasil. A mensagem central é clara: o conhecimento nunca é demais, e o trabalho em comunidade, em parceria e com troca genuína de experiências é o que fortalece o ecossistema e impulsiona a inovação. Como bem resumiu Donato, a comunidade Asug é o espaço onde o produto se torna aderente e todos aprendem a usá-lo da melhor forma possível.