Como Criar Sua Marca de Perfumes, Velas e Cosméticos do Zero! Com Pedro Marin – Casartesanal

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Do Artesanato à Indústria: A História de Superação e Inovação da Casa Artesanal

Neste episódio do Inspirar Negócios, produzido pela Matriz Group (maior importadora e distribuidora de frascos, válvulas e tampas do Brasil), os apresentadores Denilson e Joelma recebem Pedro Marim, diretor comercial de novos projetos da Casa Artesanal. A conversa revela a trajetória inspiradora de uma empresa que começou de forma artesanal, quebrou, se reergueu e hoje é referência nacional em terceirização de velas, aromatizadores e cosméticos. Este resumo captura os principais insights sobre empreendedorismo, desenvolvimento de produtos, parcerias estratégicas e as lições valiosas para quem deseja criar sua própria marca.

38 Anos de História: Da Cozinha Para a Indústria de Cosméticos

A Casa Artesanal foi fundada há 38 anos pelos pais de Pedro, Elisete e Alimar. Elisete era professora de artes plásticas e vitrinista do Boticário, enquanto Alimar começou sua carreira como office boy em uma gráfica, migrando depois para a área de RH. A oportunidade surgiu quando Elisete apresentou alguns sachês perfumados em parafina para o Boticário. O produto agradou, e a produção, inicialmente artesanal, começou a crescer. O pai de Pedro deixou seu emprego e se juntou à esposa para tocar o negócio em tempo integral.

O primeiro grande desafio veio quando o Boticário tirou de linha o produto. A empresa, que dependia de um único cliente, quebrou. “Erro que muita gente comete no início: ter um cliente só”, alerta Pedro. Naquela época, ele tinha cerca de 7 ou 8 anos, e viu os pais recomeçarem do zero. Com muito esforço, migraram para o mercado promocional e depois para a terceirização de velas, atendendo marcas que queriam produzir em escala. Hoje, a empresa é um dos maiores terceiristas do país, atendendo gigantes como Disney, Boticário, Natura, Renner, Luxitani, Truss, Tanil Bolões, entre outros.

Os Papéis Complementares na Empresa Familiar

Uma das chaves do sucesso da Casa Artesanal é a divisão clara de papéis entre os fundadores e agora entre Pedro e sua equipe. Elisete sempre ficou responsável pela parte de produto e comercial, cuidando das grandes contas e do desenvolvimento de novas linhas. Alimar, que começou na administração, viu a necessidade de se aprofundar tecnicamente e, após 20 anos de empresa, graduou-se em química para se tornar o químico responsável, em vez de depender de um profissional externo. Pedro descreve o pai como um “gênio”, que só tirava notas 10 e está sempre buscando melhorar maquinários, processos e qualidade. Pedro, por sua vez, atua à frente de novos projetos, com uma equipe de 4 a 5 pessoas, sempre em expansão para atender à crescente demanda.

A Filosofia de Parceria: Só Vendemos se o Cliente Vender

Um dos princípios mais fortes da Casa Artesanal é o comprometimento com o sucesso do cliente. “O pensamento é assim: a gente só vai estar vendendo se ele tiver vendendo”, afirma Pedro. Essa filosofia guia todas as etapas do desenvolvimento, desde a escolha da embalagem até a formulação do aroma. A empresa oferece consultoria completa para quem está começando, incluindo orientação sobre:

  • Parte regulatória e Anvisa: a equipe ajuda no processo de registro e documentação.
  • Parte tributária: orientação sobre NCM, impostos e substituição tributária.
  • Desenvolvimento de produto e embalagem: pintura, serigrafia, hot stamping, sublimação, etc.
  • Identidade visual e posicionamento: a empresa tem equipe de criação própria ou indica agências parceiras.

Pedro lamenta que, de 100 clientes novos, apenas 4 ou 5 chegam com um plano de negócios estruturado — com público-alvo definido, canais de distribuição e projeção financeira. Os demais dependem completamente do suporte da Casa Artesanal para não apenas fabricar, mas também para desenhar o modelo de negócio. A empresa é transparente: se o projeto não for viável, eles informam, mesmo que isso signifique perder a venda imediata.

Volume Mínimo e Acessibilidade: 300 Peças para Começar

Como opera com capacidade produtiva de cerca de 20 mil peças por dia, a Casa Artesanal precisa de escala. No entanto, para apoiar pequenos empreendedores, a empresa criou uma condição especial: a primeira compra pode ser de 300 peças (em vez do mínimo regular de 500). Pedro explica que fazer 300 peças exige o mesmo tempo de máquina e preparo que 2.500, então o custo unitário é maior, mas é uma forma de investir no início do negócio junto com o cliente. Ele cita casos de marcas que começaram com 100, 200 peças e hoje compram volumes enormes — como a Lanv, que começou na Casa Artesanal e hoje tem um posicionamento de mercado extremamente sólido.

A Ciência da Segurança: Análise de Queima e Controle de Qualidade

Um dos grandes diferenciais competitivos da Casa Artesanal é o rigoroso controle de qualidade, especialmente para velas. A empresa desenvolveu uma base própria e exclusiva (confidencial) e criou um laboratório com sala climatizada e filmagem para realizar a análise de queima de cada lote. São monitorados parâmetros como:

  • Queima de 360 graus
  • Temperatura do copo
  • Altura da chama
  • Quantidade de fumaça
  • Profundidade do derretimento
  • Ponto de fulgor da fragrância

Pedro afirma com segurança: “Hoje a gente sabe: todas as velas que saem da nossa produção, se a pessoa for dormir e esquecer a vela acesa, não vai acontecer nada. Não vai trincar o vidro, não vai marcar a mesa.” Esse nível de controle é tão respeitado que a Disney usa a análise de queima da Casa Artesanal como padrão, assim como Boticário, Natura e Luxitani. Pedro alerta que muitas velas artesanais usam 25% a 30% de fragrância (contra os 10-12% máximos seguros), representando um risco gigantesco de incêndio.

Velas Corporais e Novas Tendências: Body Splash, Hidratante Líquido e Hotéis

A Casa Artesanal acompanha de perto as tendências de mercado. O químico da empresa (o pai de Pedro) monitora lançamentos internacionais para trazer formulações inovadoras. Entre as novidades em alta:

  • Vela para massagem (vela corporal): base vegetal com ponto de fusão baixo, que não queima a pele; a empresa atende marcas de sex shop e empresas de massagem há cerca de 10 anos, e o segmento está crescendo.
  • Body splash e hidratante líquido/spray: tendência forte, com muitos hotéis adotando kits de 50 ml a 75 ml para hóspedes.
  • Aromatizadores de vareta e home spray: produtos com maior recompra que velas, pois não exigem ritual de acender.

A empresa já desenvolve produtos para cinco redes de hotéis diferentes e pretende participar da feira Equipe Hotel no próximo ano para expandir esse mercado.

Internacionalização: Estudando o Mercado dos EUA

Pedro revela um projeto ambicioso: usar a estrutura da Casa Artesanal para distribuir marcas brasileiras nos Estados Unidos. Como a empresa não tem marca própria (para não competir com os clientes), vê na exportação uma forma de assumir a responsabilidade pela venda e gerar mais recompra. O mercado americano é atrativo porque a regulação da FDA é mais simples para velas e difusores (que nem exigem registro), e os processos são mais rápidos. O químico da empresa está estudando a fundo essa possibilidade, e a intenção é atuar como distribuidor, abrindo portas para as marcas que já acreditam ter potencial.

Erros Comuns e Orientações para Quem Está Começando

Com base em anos de atendimento a centenas de clientes (desde pequenos empreendedores até grandes marcas), Pedro elenca os principais erros e aprendizados:

  • Querer fazer o produto perfeito: muitos gastam um ano desenvolvendo um produto sem testar o mercado. A recomendação é lançar uma versão minimamente viável, vender e ir melhorando com base no feedback real.
  • Misturar gosto pessoal com público-alvo: o empreendedor escolhe um aroma ou embalagem porque ele gosta, mas o público que ele quer atingir pode não ter o mesmo gosto. A solução é fazer benchmark e ouvir a consultoria especializada.
  • Ignorar a viabilidade financeira: muitas pessoas desenham um produto sofisticado (pintura, hot stamping, caixa especial) que exige um preço de venda muito alto, incompatível com o ticket médio do seu público.
  • Ter pouca abertura para ouvir: clientes que chegam com a opinião formada e resistem a ajustes têm maior probabilidade de fracassar. Os casos de maior sucesso (como a Lanv) são justamente aqueles que tiveram humildade para escutar, discutir e entender o mercado.

A Importância do Posicionamento e da Execução

Pedro enfatiza que posicionamento de marca é tudo. Ele cita o exemplo da Lanv: desde o início, tinha um público muito bem definido, o que direcionou todo o desenvolvimento do produto, da embalagem à comunicação. Sem posicionamento, até um produto tecnicamente excelente pode não encontrar seu lugar no mercado.

A dica final de Pedro para o empreendedor que está começando é dupla: definir o público-alvo como primeiro passo e, em seguida, executar. “Faz, pensa, vai para a ação, e aí vai melhorando, vai arrumando. Só pensar vai ficar só no pensamento.” Ele conclui reforçando o convite: procure a Casa Artesanal, que a equipe está preparada para ajudar em todas as etapas — da ideia ao produto final na prateleira.