Introdução: A Jornada de Cleverson Silva no Starling Cast
Neste episódio do Starling Cast, gravado na Avenida Paulista em São Paulo, o apresentador Mateus Starling recebe o renomado baterista Cleverson Silva. Conhecido por seu trabalho com grandes artistas como Ivete Sangalo, Ed Motta e IZA, além de sua trajetória no Renascer Praise, Cleverson compartilha sua inspiradora história de superação, fé e empreendedorismo. A conversa aborda desde seus primeiros passos na bateria, aos 6 anos de idade, até sua transição para o mundo dos negócios musicais, com assinaturas de produtos e uma mentoria voltada para o crescimento de outros músicos.
Mateus Starling destaca a admiração pela musicalidade e pela representatividade de Cleverson, que é um exemplo de músico completo: produtor, empresário e uma fonte de inspiração. Cleverson, por sua vez, expressa sua gratidão e conta que veio do "menos cinco", uma referência às suas origens humildes, e que sua trajetória é marcada pela fé e pela crença de que as coisas dariam certo.
Ao longo do episódio, Cleverson revela como sua infância na igreja, o trabalho como cobrador de lotação e a venda de pães na feira moldaram sua ética de trabalho e sua resiliência. Ele também fala sobre a importância de aprender com as críticas, a polêmica sobre músicos cristãos no meio secular e a criação de seu conceito Masterline, que engloba uma linha completa de instrumentos e acessórios assinados.
Começando do "-5": Origens e a força da fé
Cleverson Silva começa sua participação contando que veio do "menos cinco", uma metáfora para suas origens humildes. Ele não tinha contato com músicos profissionais, estudo formal ou acesso à internet na época. Sua maior vontade era fazer música todos os dias. Ele destaca que sua história é definida por fé, que ele descreve como acreditar naquilo que não se vê.
Ele conta que costumava tirar repertórios de artistas com quem sonhava em tocar, e que, com o tempo, acabou tocando com muitos deles, como Ivete Sangalo, Ed Motta e Renascer Praise. Essa prática de tirar álbuns inteiros se tornou uma mania e uma forma de estudo. Cleverson enfatiza que sempre acreditou que as coisas iam dar certo.
Primeiros passos na bateria e a base na igreja
Cleverson começou a tocar bateria aos 6 anos de idade na Igreja Unida em Poá. Seu irmão, que tocava guitarra e bateria na igreja, o incentivou. Ele conta que, no primeiro dia, sentou na bateria e nunca mais parou. Aos 7 anos, já era o baterista titular da igreja, com uma responsabilidade enorme para a idade.
Ele ressalta que, naquela época, o repertório era muito difícil, misturando música nordestina, black music e rock. Sua base foi a igreja, e ele sempre levava a música a sério, estudando e chegando preparado. Aos 12 anos, um rapaz chamado Raul, que tinha um estúdio perto de sua casa, o convidou para tocar em uma banda chamada Reencontro. Foi nesse período que ele conheceu a banda Kadosh.
Banda Kadosh e a chegada à Renascer
Aos 14 anos, Cleverson foi convidado a integrar a banda Kadosh, uma banda muito famosa na época. Seu pai, inicialmente, não queria deixá-lo ir, mas acabou cedendo após a visita de líderes da igreja. Ele ficou cerca de 2 a 3 anos na Kadosh e, em seguida, foi para a Renascer, também com 14 anos, em 1999.
Ele conta que, na Renascer, fez um teste com Ronaldo, um tecladista que se tornaria seu padrinho de casamento. Ele começou a servir na igreja, tocando em cultos pequenos, como o das 6 da manhã. Foi nesse período que ele conheceu Maurílio Santos, que o convidou para integrar sua banda.
Maurílio Santos, rotina de cobrador de lotação e primeiras gravações
Cleverson entrou na banda de Maurílio Santos, com quem viajou pelo Brasil e teve suas primeiras experiências profissionais, recebendo um cachê de R$ 37,50. Paralelamente, ele trabalhava como cobrador de lotação e vendia pães na feira para ajudar a família e comprar seus equipamentos. Ele destaca que nunca teve vergonha do trabalho e que sempre gostou de vender.
Ele conta que, durante o trabalho na lotação, ouvia fitas de Tower of Power, Yellowjackets e For Play exaustivamente, o que contribuiu para sua formação musical. Foi com Maurílio que ele gravou seu primeiro álbum, produzido por Dudu Borges, que na época era um produtor novato vindo de Campo Grande para São Paulo.
Desafios nos estudos e a volta por cima como professor universitário
Cleverson enfrentou dificuldades nos estudos, parando na sétima série após repetir três vezes. Ele explica que não tinha como conciliar os estudos com o trabalho e a música. No entanto, há um ano e meio, ele foi convidado para dar aula em uma universidade na Avenida Paulista, a Universidade Verse, para alunos com experiência de mercado.
Para poder dar aula, ele precisou concluir os estudos. Ele fez o supletivo e se matriculou na faculdade, com o apoio do dono da universidade. Ele dá aula de bateria uma vez por mês e vê isso como uma forma de compartilhar sua experiência e homenagear seu pai, que sonhava em vê-lo formado. Seus irmãos também estudam na mesma universidade.
Renascer Praise no Pacaembu e trabalhos profissionais
Cleverson conta que, antes de tocar na banda principal do Renascer Praise, ele ia aos ensaios e gravações apenas para estar perto do sonho. Aos 17 anos, a bispa o chamou para gravar uma música. No ano seguinte, ele tocou no DVD gravado no Estádio do Pacaembu, com um coral de 12.000 vozes.
Nesse meio tempo, ele começou a gravar com Dudu Borges para diversos artistas, como Salgadinho e Marcelo Aguiar, e também com o primeiro álbum solo de Michel Teló. Ele também tocava em bares na região da Paulista com uma banda instrumental chamada Audio Félix, cover do David Matz Band. Foi a partir do trabalho com DJ Alpiste que ele começou a visualizar que sua carreira daria certo.
O dilema: Músico cristão tocando no meio secular
Cleverson compartilha sua visão sobre o músico cristão atuando no meio secular. Ele conta que, aos 9 anos, um empresário de um grupo de samba foi pedir autorização ao seu pai para que ele tocasse, mas seu pai negou. No entanto, aos 16 anos, surgiu a oportunidade de tocar na banda Audio Félix, e foi uma decisão natural, pois ele sempre encarou a música de forma profissional.
Ele afirma que nunca conseguiu ver a ida para o secular como "pôr o pé fora", mas reconhece que existem trabalhos e trabalhos. Ele respeita quem decide não tocar fora, mas acredita que a decisão é pessoal. Ele conta que tocou com IZA, Ivete Sangalo e Ed Motta, e sempre teve experiências profissionais e ambientes respeitosos. Ele enfatiza que sempre separou as coisas e que nunca teve problema por conta disso.
Experiência morando em Portugal e volta ao Brasil
Em 2005, Cleverson foi convidado por um apóstolo para morar em Portugal. Ele morou lá por um ano, casou-se e teve uma ótima experiência, gravando com outros músicos. No entanto, como não havia muito trabalho musical, ele voltou ao Brasil em 2007, a convite da bispa Sônia, para trabalhar na Renascer como funcionário.
Ele conta que sua experiência em Portugal foi muito boa, pois teve contato com outros músicos e pôde gravar em estúdios com mais recursos. Ele voltou para o Brasil e continuou trabalhando na igreja, escalando outras funções.
Carreira solo e a transição definitiva para os grandes palcos
Cleverson conta que, após trabalhar na Igreja do Brás, em 2010, ele conseguiu pensar em sua carreira solo e gravou seu primeiro álbum. Ele começou a trabalhar intensamente no meio secular, com Ivete, Ed Motta e IZA. Em um determinado momento, ele decidiu que não trabalharia mais na igreja, pois sentiu que havia chegado ao seu limite quando precisou recusar uma gravação com Bruno Mars para trabalhar na igreja.
Ele saiu da igreja, mas continuou servindo. Ele foi morar na Europa em 2018, em Lisboa, para ter uma base para seus shows. Voltou ao Brasil em 2019 e foi trabalhar na Globo. Foi nesse período que IZA o chamou para entrar em sua banda.
Bastidores na pandemia com a IZA e generosidade da equipe
Cleverson conta que, durante a pandemia, IZA manteve uma equipe de 50 pessoas durante 24 meses, pagando seus salários mesmo sem shows. Ele é muito grato por essa atitude, que foi fundamental em um momento de incerteza. Ele também menciona que IZA pagava faixas para gravações de programas de TV.
Ele destaca a generosidade de IZA e de Ivete Sangalo, com quem também teve experiências incríveis. Ele conta que Ivete gravou uma música com ele de graça, e que a equipe dela foi extremamente profissional e generosa.
Como rolou a gravação do clipe com Ivete Sangalo
Cleverson conta que convidou Ivete Sangalo para gravar uma música em seu documentário, e ela aceitou. No entanto, os custos de produção eram altos, cerca de R$ 50.000. Ele agradeceu, mas disse que não tinha condições. Duas semanas depois, Ivete ligou e disse que gravaria o trabalho dele. Ele foi para a Bahia, e quando chegou, Ivete estava toda arrumada e preparada para gravar, dizendo que havia se preparado para o trabalho dele.
Ele destaca a generosidade e a entrega artística de Ivete. Ele também menciona outras pessoas incríveis com quem trabalhou, como Alexandre Pires, e diz que não consegue demonizar o meio secular.
Polêmicas e limites profissionais no mercado musical
Cleverson comenta sobre a polêmica envolvendo músicos que tocaram no show da Anita, que foi associado a um ritual. Ele diz que não julga os músicos, mas que, para ele, essa situação cruzaria seu limite. Ele respeita quem decide tocar, mas acredita que cada um deve analisar sua própria consciência.
Ele também menciona o caso de uma musicista que entrou na justiça para não tocar uma música em homenagem aos orixás, e a justiça lhe deu ganho de causa. Ele defende que o artista deve respeitar o limite do outro e que existe liberdade religiosa. Ele conclui que nunca gostou de ficar refém de nada e que sempre buscou ter outras fontes de renda.
Gospel Chops, influências gringas e identidade brasileira
Cleverson fala sobre a influência do gospel chops americano em seu estilo. Ele conta que teve a oportunidade de conviver com grandes bateristas americanos, como Dan Chambers, Calvin Rogers e Aaron Spears, e que eles admiravam sua capacidade de tocar o som deles com pertencimento e linguagem própria.
Ele conta uma história em que, após uma jam session nos Estados Unidos, os músicos americanos elogiaram seu som, dizendo que ele tocava com linguagem e não apenas imitava. Ele destaca que a barreira do "tá imitando americano" só atrapalha, e que ele conquistou respeito por tocar música de qualidade, independentemente da origem.
Lidando com o hate de "tocar muita nota"
Cleverson fala sobre as críticas que recebe por "tocar muita nota". Ele conta que, em seus workshops, faz apresentações performáticas para a molecada, e que, quando os vídeos vão para a internet, ele é criticado por não tocar música. Ele cita o exemplo do solo que fez no programa Fantástico com Ed Motta, que gerou uma onda de críticas.
No entanto, Ed Motta o defendeu publicamente, dizendo que o solo foi feito porque ele pediu e que os críticos não conheciam a linguagem de bateristas como Elvin Jones e Buddy Rich. Cleverson destaca que o importante é ser fiel à sua verdade e não se deixar moldar pelas críticas.
A virada de chave para a mentalidade empreendedora
Cleverson conta que sua mentalidade empreendedora começou a se desenvolver durante a pandemia, quando ele foi morar na Europa e teve mais tempo para estudar. Ele começou a analisar o mercado e a entender que precisava ganhar dinheiro dormindo, sem depender apenas de shows.
Ele estudou cases de sucesso como o de Silvio Santos e Pelé, e percebeu que as marcas que ele endossava davam muita exposição a elas, mas ele ganhava pouco. Ele decidiu, então, conversar com as marcas para participar das vendas. Ele entendeu que existem cinco níveis de endosso: desconto, equipamento, assinatura, salário e equity. Ele queria chegar ao nível mais alto.
O desafio da Valdman: 9 toneladas de pratos vendidas em um fim de semana
Cleverson conta que foi convidado para ser o primeiro endorse da Valdman, uma marca de pratos B20 que não era conhecida. Ele aceitou o desafio, mas propôs uma meta: vender 9 toneladas de pratos em 2 anos. Ele estudou o mercado e percebeu que seu público era o baterista de igreja, que busca qualidade com custo-benefício.
Ele montou um estúdio, contratou um videomaker e começou a gravar conteúdo diário sobre os pratos. Ele participou de uma feira da Valdman, e, para sua surpresa, venderam 9 toneladas de pratos em um único fim de semana. A marca rasgou seu contrato antigo e renegociou, e ele criou sua própria linha de pratos, a Start.
O conceito Masterline: Pratos, peles, microfones e baterias próprias
Cleverson explica que, após o sucesso com a Valdman, ele percebeu que poderia aplicar o mesmo conceito a outras marcas. Ele criou a Masterline, uma holding que engloba suas assinaturas. Ele fez isso com a LDH (peles), criando a marca Voic, com a Zildjian (fones e microfones) e, por último, com a FSA (baterias), lançando a linha United.
Ele destaca que o conceito Masterline é oferecer produtos bons com custo-benefício, e que seu logotipo são estrelas que representam o infinito. Ele conta que hoje tem 100% do seu material assinado.
Perda de 40 kg, superação física e linha de relógios Champion
Cleverson conta que, após ser questionado sobre seu peso por um representante de uma marca de roupas, ele decidiu mudar. Ele fez um tratamento médico, perdeu 40 kg com dieta, musculação e caminhadas diárias. Ele usa essa história como exemplo de superação e de como usa as críticas como combustível.
Ele conta que, após emagrecer, foi convidado pela Champion para lançar um relógio assinado, o Masterline Chronos. Ele aceitou, pois a Champion é uma marca popular e acessível. Ele destaca que os primeiros 100 relógios têm número de série e serão vendidos junto com as primeiras 100 baterias de sua linha United.
Drum SP, estúdio RCS e projetos internacionais (EUA, África, Japão)
Cleverson fala sobre seus diversos projetos. Ele tem um estúdio em sua casa, o RCS, inaugurado por Dennis Chambers. Ele também criou o festival Drum SP, em parceria com a prefeitura de São Paulo, que está em sua terceira edição. Ele também tem projetos educacionais e internacionais.
Ele menciona o projeto Simbiose na África (Angola), gravações no Japão para grupos famosos, e o projeto My Days nos Estados Unidos, que teve participações de grandes músicos como Ivete Sangalo e Andre Gouchet. Ele também tem um projeto com Ruben Farias na Suécia.
Lançamento da Mentoria Masterline Next Level
Cleverson anuncia em primeira mão sua mentoria, a Masterline Next Level, que começará em novembro. Ele conta que parou de dar aulas, mas sentiu a necessidade de compartilhar sua experiência. A mentoria será uma imersão com mais de 20 baterias, e terá um evento em São Paulo com atrações internacionais.
Ele explica que a mentoria é para quem quer subir de nível, e que haverá um grupo de WhatsApp para os interessados. Ele destaca que quem comprar no pré-lançamento terá um desconto.
Rotina diária de gravações e a escolha pelo propósito
Cleverson conta que grava todos os dias, mas que já teve uma experiência de gravar 15 faixas em um dia, sem nenhuma conexão com seu propósito, o que lhe deu dor de cabeça. Ele reflete sobre a importância de escolher os trabalhos que fazem sentido, e não apenas pela quantidade.
Ele conta que recebeu uma música de David Morrison no mesmo dia, o que interpretou como uma resposta de Deus. Ele destaca que o músico Nathan primeiro pediu para ouvir a música antes de falar de dinheiro, e que isso mostra a importância da qualidade e do propósito.
A volta à Renascer como voluntário
Cleverson conta que, recentemente, a bispa Sônia o ligou pedindo ajuda para tocar na Marcha para Jesus. Ele foi sem saber as músicas, mas com a ajuda de Ronaldo, que o dirigiu, conseguiu se apresentar. Ele destaca que é uma alegria poder ajudar quem já lhe deu a mão um dia.
Ele conta que hoje serve na Renascer como voluntário, dentro de sua agenda, e que não tem como entrar no quadro de funcionários por conta de sua correria. Ele é grato a várias igrejas e ministérios que passou, como a Renascer e a Igreja do Brás.
A profecia da infância com a baqueta remendada e mensagem final
Cleverson encerra o episódio contando uma história emocionante. Quando era moleque, ele tocava na igreja com uma baqueta remendada. Um pastor chamado Sley pregou na igreja e disse que Deus lhe mostrou que Cleverson se tornaria uma referência, viajaria o mundo e viveria da música. Ele conta que, hoje, olha para trás e vê que tudo o que o pastor falou se cumpriu.
Ele destaca a importância da fé e de saber lidar com as críticas e com as pessoas que querem diminuí-lo. Ele diz que usa isso como gasolina e que hoje vive um sonho. Ele conclui com uma mensagem de gratidão a Deus e de que está no centro do seu propósito.