Introdução: O Futuro das Conversas no Blipcast
No mais recente episódio do Blipcast, o anfitrião Caio Calado recebe dois grandes nomes para discutir o futuro das conversas e o futuro conversacional. Participam Daniel, cofundador da Blip, e Newton Neto, Diretor de Parcerias Estratégicas para a América Latina no Google. O episódio explora como a evolução tecnológica, desde a web até a inteligência artificial, está transformando a interação entre pessoas, marcas e máquinas.
A Evolução das Plataformas: Da Web aos Aplicativos de Mensagem
Daniel relembra a trajetória desde o início da web em 1997, quando o principal ativo digital de uma empresa era um site. Ele menciona a bolha de 2000 e a tentativa frustrada de migrar a web para o celular com o protocolo WAP, que tinha uma usabilidade muito restrita. A grande revolução veio com os aplicativos de smartphone, a partir do iPhone em 2007, que democratizaram o acesso e criaram um ambiente mais amigável, dando origem a unicórnios.
Paralelamente, a Blip (antiga TakeNet) já atuava no ambiente conversacional das operadoras de telefonia, usando SMS e linguagem natural para criar jornadas completas, desde a apresentação de um catálogo até a tarifação e o atendimento. Daniel destaca que, após um longo ciclo, o mundo está retornando ao princípio onde o ativo principal é o relacionamento e a conversa aberta.
O Papel do Google e a Transição para IA
Newton Neto explica que o Google sempre esteve presente nas mudanças de paradigma. O conceito de Mobile First, cunhado por um funcionário do Google em 2008, foi adotado pela empresa por volta de 2014, levando à criação do conceito de micromentos. A missão do Google também evoluiu de "organizar a informação do mundo e torná-la acessível" para "torná-la acessível e útil", permitindo que os usuários realizem ações como reservar restaurantes, pagar contas ou agendar viagens diretamente pela busca.
Principais Anúncios do Google I/O e a Nova Onda de IA
No Google I/O de maio, foram anunciadas mais de 100 novidades, com destaque para o Veo 3, uma ferramenta de geração de vídeo com áudio. No entanto, Newton ressalta a importância do ecossistema de agentes de IA e a evolução da busca. O CEO Sundar Pichai demonstrou um agente dentro do Gemini ajudando a encontrar um imóvel, e um VP de engenharia mostrou um assistente que, além de buscar informações sobre beisebol, comprou ingressos e gerou estatísticas em tempo real. A missão do Google agora é caminhar para um assistente universal.
Gemini, Modelos de Linguagem e a Democratização da IA
Newton destaca que o Google está se esforçando para que os investimentos em IA impactem positivamente a sociedade. Um exemplo é o acesso gratuito ao Gemini Pro para estudantes, com o Brasil liderando a adoção global. Os Large Language Models (LLMs) estão agora inteligentes o suficiente para manter conversas sofisticadas. O Google liberou o acesso ao Gemini no Brasil, disponível em aplicativos, e a maior entrega de informação gerada por IA do planeta hoje é a busca do Google, com seus resumos gerados por IA (overviews).
Do Mobile First para AI First: A Transformação Interna no Google
Antes mesmo da pandemia, Sundar Pichai já anunciava que o Google havia deixado de ser uma empresa Mobile First para ser AI First. Funcionalidades como o AutoComplete e o Google Lens são exemplos de IA integrada há anos. Newton observa que as buscas dos usuários se tornaram muito mais complexas e conversacionais, e o novo senso de urgência dentro da empresa acelerou os sprints para garantir que os modelos sejam "top notch".
A Visão Conversacional da Blip: "Se as Pessoas Conversassem com as Empresas como Conversam com Amigos"
Daniel apresenta a tese central da Blip: permitir que pessoas conversem com empresas da mesma forma natural com que conversam com amigos. Em vez de comandos de menu ("segunda via"), a interação deve ser fluida, contextual e respeitosa. A Blip utiliza vários modelos de IA do Google em sua plataforma para criar experiências conversacionais persistentes, que permitem hiperpersonalização e o fim do spam, com comunicações assíncronas e relevantes.
Parcerias Estratégicas: Google e Blip na Geração de Demanda
O Google e a Blip uniram forças para resolver problemas do mercado brasileiro. Newton detalha duas iniciativas pioneiras lançadas primeiro no Brasil e depois escaladas globalmente:
- Botão de conversa para pequenos negócios: No perfil da empresa no Google Maps e na Busca, um botão permite iniciar uma conversa em apps de mensageria (como WhatsApp ou RCS), resolvendo a dor de pequenos negócios que não possuem site.
- Messaging Ads: Um formato de anúncio onde o resultado da busca exibe a opção "Converse com esta marca pelo app de mensagem", aproveitando a alta intenção comercial da busca. A Blip garante a melhor experiência pós-clique.
Daniel complementa que o contato inteligente deve ser acessível a qualquer empresa, e a Blip trabalha em um flywheel (ciclo virtuoso) que gera descoberta, engajamento, venda e atendimento.
O Ecossistema e o Evento Blip.ed
Daniel apresenta o Blip.ed, o evento anual da Blip que celebra o ecossistema conversacional. Na última edição, o evento contou com mais de 3.000 pessoas, 55 parceiros e 16 horas de conteúdo, focando não apenas na Blip, mas em toda a tecnologia que habilita a conexão entre clientes e marcas. O evento serve como um showcase de diversidade, empreendedorismo e inovação, e a edição deste ano está prevista para o final de agosto em São Paulo.
RCS: A Evolução do SMS e a Interoperabilidade
Newton explica o investimento contínuo do Google no RCS (Rich Communication Services), um protocolo que está se tornando interoperável com o iOS, acabando com a fricção entre dispositivos Android e iPhone. O RCS é um ambiente democrático e privilegiado dentro do ecossistema Android, permitindo interações ricas e integração com a inteligência do Google Ads. As marcas podem rodar campanhas aproveitando a mesma segmentação da busca.
A Estratégia da Blip para Mensageria e o Case de QR Code
Daniel reforça que a estratégia de sucesso está centrada no cliente (customer centricity), utilizando o que é mais natural para as pessoas: a conversa. Ele menciona um case prático onde, ao escanear um QR Code em uma obra, o usuário iniciou uma conversa, compartilhou a localização, recebeu a planta do imóvel e demonstrou interesse, tudo via mensageria. A Blip também orquestra três grandes frentes:
- Fluxos determinísticos: Automação baseada em regras (ex: solicitar CPF e integrar com CRM).
- Orquestração de agentes de IA: Utilizando grandes modelos de linguagem e protocolos para agente conversar com agente.
- Atendimento humano híbrido (Copilot): Quando o cliente solicita um atendente, todas as informações da conversa são repassadas, permitindo um atendimento contextualizado, empático e eficiente.
Inteligência Artificial e o Impacto Transformacional no Brasil
Newton enfatiza que a IA veio para potencializar o ser humano, não substituí-lo. Ele cita exemplos de alto impacto:
- AlphaFold (DeepMind): Modelo de IA que prevê a estrutura de proteínas, acelerando a descoberta de novas drogas e medicamentos (Nobel de Química).
- Preservação da Amazônia: Rede de satélites que detecta focos de incêndio com precisão de 3 metros.
- Alertas de enchente: Em milhares de localidades no Brasil, alertas com 7 dias de antecedência para populações ribeirinhas.
- Gemini na educação: Auxílio em disciplinas do ensino fundamental e médio.
O executivo também aborda a responsabilidade no uso da IA, mencionando que imagens geradas pelo Gemini possuem marca d'água digital e o Google oferece ferramentas para verificar se um conteúdo foi gerado por IA.
O Brasil como Celeiro de Inovação e a Mensagem Final
Daniel e Newton concluem que o Brasil está excepcionalmente bem posicionado para liderar a adoção de IA globalmente, graças à sua população criativa, jovem e ávida por tecnologia. Daniel expressa gratidão pela parceria de longa data e pelo momento atual, afirmando que o melhor momento da Blip está só começando. Newton reforça o orgulho de ver o ecossistema brasileiro, com empresas como a Blip, inspirando os stakeholders no Vale do Silício.
A mensagem final do episódio é que o poder da inteligência artificial é revolucionário e, ao encontrar os bons usos, é possível transformar o país. A conversa ressalta que não se trata apenas da tecnologia em si, mas de como empresas e pessoas se beneficiam dela, criando um futuro conversacional mais humano, eficiente e acessível.