ASUG News: O Papel do IT na Nova Era Corporativa

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Introdução: A Evolução do Papel da TI nas Organizações

Em um bate-papo especial para a ASUG News edição 100, o coordenador do SIG Localização, Mauro Ferraz, recebe Paulo para discutir o papel estratégico da Tecnologia da Informação (TI) nas empresas. A conversa aborda a transformação da TI de uma área de suporte operacional para um protagonista nas decisões de negócio, destacando a importância da governança, da velocidade, da inovação e do fator humano para o sucesso da transformação digital.

O Novo Papel da TI: Da Sustentação à Estratégia

Paulo inicia a discussão afirmando que a mudança do papel da TI 'vem acontecendo há muito tempo' e que, em sua visão, a TI nunca deveria ter sido vista apenas como suporte. Atualmente, muitas estratégias de negócio são construídas em conjunto com a TI, que passou de 'o rapaz que ficava digitando nota' para um protagonista trabalhando lado a lado com o negócio.

Essa evolução é impulsionada por vários fatores: a necessidade de trazer inovação, melhorar a excelência operacional, apoiar a transformação de dados para uma IA mais assertiva e, crucialmente, gerenciar o custo com tecnologia no balanço das empresas (DRE). O TI precisa trazer inovação de forma sustentável, com custos viáveis e aderentes ao que o negócio realmente precisa.

O Custo de Deixar a TI Fora das Decisões

Quando questionado sobre o que as empresas perdem ao envolver a TI tardiamente nas decisões, Paulo destaca o exemplo da pandemia como um divisor de águas. Enquanto muitos estavam em casa, os profissionais de TI trabalhavam para levar servidores para a nuvem e garantir que as empresas não parassem.

Perde-se muita eficiência quando a TI não participa do planejamento estratégico. Decisões tomadas sem o envolvimento da TI podem resultar em:

  • Implementação de melhorias incrementais em processos existentes, em vez de inovação disruptiva.
  • Aumento de custos, pois a TI precisa adaptar soluções a decisões já tomadas.
  • Prazos estendidos e projetos que se tornam 'coxinhas de retalho', com soluções improvisadas.

Quanto mais cedo a TI for envolvida, maior a capacidade de colaborar com soluções técnicas evolutivas, reduzir custos e mitigar impactos negativos para a companhia.

Governança e Velocidade: O Dilema do Equilíbrio

Paulo aborda o equilíbrio entre governança e velocidade, citando a reflexão da revista: 'Governança sem velocidade vira burocracia e velocidade sem governança vira risco'. Ele destaca que governança e compliance caminham juntos na maioria das empresas, independentemente do tamanho, e que ter processos e controles nunca resolve todos os problemas, mas mitiga riscos.

O grande desafio do líder de TI é conseguir unir a segurança da governança com a agilidade necessária. A solução, segundo Paulo, está em avaliar cada situação de forma transparente, ponderando:

  • O tempo que o processo ideal levaria.
  • O risco de oportunidade perdida ao retardar o lançamento de um produto ou inovação.
  • O custo de ser ágil versus o custo da oportunidade perdida.

As decisões devem ser tomadas em cima dessa análise, mas sempre com a flexibilidade de não engessar os processos com um modelo único e inflexível para todos os casos.

Controle Excessivo versus Organização

Paulo acredita que muitas empresas confundem organização com controle excessivo, muitas vezes não de forma proposital. Embora o controle seja bom e necessário (já que 'sem caminho nenhum, qualquer caminho serve'), o novo papel da TI é encontrar a maneira de ter controle sem criar burocracia.

A tecnologia disruptiva, como a IA, pode ser uma aliada nesse processo: usar a IA para acelerar processos, manter o controle e agilizar as tomadas de decisão, evitando a perda de oportunidades e o atraso nas inovações.

Transformação Digital: Uma Mudança Cultural, Não Apenas de Sistema

Paulo é enfático ao afirmar que a transformação digital é mais cultural do que um sistema. Ele compara o hype atual em torno da IA com o que ocorreu com outras ondas tecnológicas, onde a consultoria foi muito vendida. A verdadeira transformação exige empatia com as pessoas, que muitas vezes precisam reaprender o jeito de trabalhar.

Os principais desafios culturais incluem:

  • Medo e Insegurança: As pessoas têm receio de perder o emprego ou não conseguir se adaptar.
  • Resistência à Mudança: Quem trabalhou muito tempo fazendo de um jeito pode ter dificuldade em adotar um novo método.
  • Uso Inadequado do Sistema: Sem a mudança cultural, as pessoas tendem a usar o novo sistema da mesma forma que usavam o antigo, perdendo performance e cometendo mais erros.

A transformação digital requer apoio forte da liderança para dar segurança às pessoas, respeitar seus medos e receios, e reconhecer que erros e acertos farão parte do processo de aprendizado contínuo.

Inovação Versus Melhoria: O Que Está em Jogo

Paulo diferencia inovação de melhoria incremental. Ele observa que muitas empresas se dizem inovadoras, mas na prática estão apenas fazendo processos melhores, não disruptivos. A inovação verdadeira exige:

  • Vontade de empreender e pensar fora da caixa.
  • Segurança para errar, pois inovar é ir para um universo desconhecido.
  • Uma rede de apoio que gere segurança para quem está no processo.

Ele cita que ninguém que se tornou 'best in class' chegou lá sem errar e sem se arriscar. A inovação não acontece naturalmente em ambientes onde o discurso de disrupção é rapidamente abandonado na primeira reunião difícil ou 'quente'.

O Líder de TI do Futuro: Tradutor e Conector

A revista ASUG News destaca que a liderança de TI está cada vez menos técnica e mais próxima do negócio. Paulo concorda e descreve o novo perfil do líder de TI como alguém que atua como um tradutor e conector entre dois mundos:

  1. Com o Negócio: O líder precisa se comunicar de forma que o negócio entenda o valor da tecnologia (ex.: explicar como um agente de IA resolve um problema real, em vez de apenas falar sobre o hype).
  2. Com a Equipe Técnica: O líder precisa conduzir a visão de negócio para a área de desenvolvimento e análise, garantindo que as pessoas técnicas também entendam o propósito estratégico.

Essa habilidade de 'conduzir o meio de campo' entre as áreas será o grande diferencial dos líderes de TI no futuro.

O Papel da TI na Era da Inteligência Artificial

A chegada da IA já mudou o papel da TI. Paulo destaca que a IA já está no dia a dia e traz novas responsabilidades, especialmente no campo da governança de IA. Os novos desafios incluem:

  • Qualidade dos Dados: A IA potencializa resultados, mas se a informação for ruim, ela acelera o negativo. A TI precisa abastecer a IA com dados de qualidade.
  • Segurança e Ética: É necessário evitar que um chatbot, por exemplo, envie mensagens com viés, o que pode ter um impacto reputacional gigantesco.
  • Rastreabilidade e Compliance: É fundamental saber para onde a informação está indo e onde está ficando, garantindo o uso responsável da informação.

A IA é, em essência, dado puro convertido em respostas rápidas que ajudam a tomar decisões mais ágeis e acelerar processos, gerando competitividade. Quem for mais assertivo nesse uso ganhará mercado.

O Que Separa Empresas que Atuam com Tecnologia das que Promovem Transformação

Para fechar, Paulo reflete sobre o que diferencia as empresas. Hoje, é difícil encontrar uma empresa que não tenha embarcado em tecnologia (até para emitir uma nota fiscal, a opção manual praticamente não existe). A diferença estará na capacidade de adaptação.

Ele identifica dois segmentos de empresas:

  1. As que esperam o mercado amadurecer: Entram de forma mais segura e assertiva, pegando tecnologias já testadas e com custos mais previsíveis.
  2. As que precisam sair na frente: Arriscam-se mais, gastam mais dinheiro e têm mais riscos, mas potencialmente colhem os maiores frutos.

Não existe certo ou errado; o papel da TI e do líder de TI é deter o conhecimento e ajudar o negócio a 'aplicar o remédio na dosagem certa, da forma certa, pro momento certo'. Essa sensibilidade é o que faz uma empresa ver a TI como uma área estratégica, e não apenas como um centro de despesas.

Paulo conclui agradecendo a oportunidade e reforça a importância da ASUG e dos SIGs para promover discussões relevantes e o desenvolvimento do ecossistema SAP.