Amanhã, amanhã e ainda outro amanhã - Resenha

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Introdução: Um Livro que Une Literatura e Videogames

A apresentadora Júlia Calixto, do canal Página 31, apresenta a resenha do livro 'Amanhã, Amanhã e Ainda Outro Amanhã', de Gabrielle Zevin. Ela destaca que a obra é ideal para quem gosta tanto de livros quanto de jogos. O livro entrou para a lista dos '100 melhores livros do século XXI', tanto na lista dos críticos do The New York Times quanto na lista feita pelos leitores do mesmo jornal. A trama tem como pano de fundo o desenvolvimento de jogos eletrônicos, acompanhando personagens que criam uma empresa de jogos. Embora a apresentadora não se considere obcecada por jogos, a leitura a deixou com uma grande vontade de jogar, especialmente os jogos criados pelos personagens da história.

Enredo: Amizade, Criação e as Complexidades da Vida

A história acompanha dois amigos que eram próximos na infância, mas que se separaram por um longo período devido a um incidente não revelado. Ambos são muito inteligentes: o menino, Sam, estuda em Harvard, enquanto a menina, Sadie, frequenta uma aula no MIT (Massachusetts Institute of Technology) sobre desenvolvimento de jogos. Eles se reencontram e decidem criar um jogo juntos, dando início à trama central.

Júlia ressalta que o livro não é contado de forma linear. O leitor descobre eventos da infância dos personagens depois de ver o desenvolvimento da empresa e há saltos temporais para o futuro. Embora o desenvolvimento de jogos seja o plano de fundo, o foco principal está nas coisas da vida real. A obra é descrita como um livro sobre pessoas normais com problemas comuns, sem grandes reviravoltas, mas muito realista. Cada jogo criado pelos personagens reflete o que está acontecendo em suas vidas, tornando a leitura rica em conexões e simbolismos.

Diferentes personagens têm seus momentos de destaque: Sam, Sadie e um terceiro personagem chamado Max, cuja entrada na história causa um evento muito importante que muda todo o ciclo dos acontecimentos. A apresentadora sente que, ao final do livro, conheceu profundamente cada personagem, como se eles tivessem contado suas histórias de vida pessoalmente.

Impacto Pessoal e Técnico

Júlia se encantou tanto com o processo de desenvolvimento de jogos retratado no livro que ficou impressionada e desejando que os jogos fictícios existissem. Ela relata que atualmente cursa o ensino médio integrado com um técnico em desenvolvimento de sistemas e, embora goste do curso, não sabia exatamente que caminho profissional seguir. A leitura do livro plantou uma 'sementinha' em sua mente sobre a possibilidade de trabalhar com desenvolvimento de jogos. Tanto que ela menciona ter um trabalho escolar sobre software de jogos e que usará referências do livro em seu projeto, recomendando a leitura para colegas de sala que se interessam pela área.

Jogos Recomendados para Quem Gostou do Livro

Como os jogos criados pelos personagens não existem na vida real (a empresa se chama 'Jogo Sujo'), Júlia realizou uma pesquisa para encontrar jogos com a mesma vibe. Ela organizou as recomendações de acordo com os jogos fictícios mencionados na obra.

Ichigo (ou Itigo)

No livro, este é o primeiro jogo desenvolvido pela empresa. A história é sobre um menino que se perde de sua família durante um tsunami e precisa retornar para casa. A apresentadora imaginou que o estilo artístico do jogo seria parecido com Monument Valley, um jogo de quebra-cabeças com um estilo visual lindo. Outro jogo que ela encontrou com alguma relação temática é Ori and the Blind Forest (Ori e a Floresta Cega), que conta a história de uma criatura que precisa salvar uma floresta que está sendo corrompida. Ela descreve o trailer do jogo como 'muito bonito'.

Both Sides (Ambos os Lados)

Este foi o jogo mais difícil de encontrar similares. Na trama, uma menina doente no hospital consegue visitar dois mundos: o real e um mundo mágico onde ela é uma heroína que precisa salvar a todos. Fica em aberto se salvar o mundo mágico pode salvar a própria menina. Júlia listou alguns jogos com elementos parecidos:

  • Hollow Knight: Pela presença de um mundo destruído que o protagonista precisa salvar.
  • Time Lie: Um jogo que envolve uma realidade paralela e uma relação com o tempo.
  • Celeste: Onde a protagonista precisa enfrentar seus próprios desafios para alcançar uma conquista.

Counterpart High

Um jogo com várias versões alternativas, onde o jogador é um estudante do ensino médio. A primeira associação de Júlia foi com o jogo Amor Doce, um RPG onde a protagonista conversa com várias pessoas e faz escolhas que afetam a história, embora ela admita que muitas pessoas falam mal desse jogo. Uma alternativa que ela pesquisou foi Night in the Woods, um jogo de RPG onde o personagem volta para sua vida passada e descobre que tudo mudou, com a resolução de mistérios e escolhas que intervêm no fluxo da história.

Maple World

Este foi o jogo mais fácil de encontrar similares. É um tipo de jogo onde se constrói uma cidadezinha, uma fazenda, algo 'bacaninha' para se jogar no decorrer do tempo. Júlia recomendou dois jogos principais:

  • Stardew Valley: A versão mais nova e famosa, onde o jogador tem sua fazenda em uma cidade pequena, com eventos e uma atmosfera de conforto.
  • Harvest Moon: A versão mais antiga que inspirou Stardew Valley, com a mesma premissa, mas com gráficos e elementos mais antigos.

Master of the Reveals

Um jogo de investigação de assassinato com um estilo shakesperiano. Embora pensasse em recomendar um jogo de assassinato, Júlia decidiu recomendar Where in the World is Carmen Sandiego? (Carmen Sandiego no mundo). Ela descreve o jogo como maravilhoso e perfeito: um jogo antigo onde o jogador usa conhecimentos históricos para perseguir criminosos, encontrando Carmen Sandiego no final, com um tempo determinado. Ela menciona que o jogo virou uma série na Netflix (desenho e jogo interativo). Quanto ao estilo visual, ela imaginou algo mais parecido com The Lions Gate, embora a história deste não tenha relação com investigação.

A apresentadora finaliza pedindo que os espectadores deixem nos comentários outras recomendações de jogos parecidos, confessando sua necessidade especial de jogar algo no estilo de 'Ichigo'.

Sobre o Título e os Gatilhos da Obra

O título 'Amanhã, Amanhã e Ainda Outro Amanhã' (inspirado em uma peça de Shakespeare) tem múltiplos significados que se conectam com a história. No contexto dos videogames, em um jogo sempre há um 'outro amanhã', pois o jogador pode recomeçar de um ponto de verificação (checkpoint) após morrer. Na vida real, o título traz duas perspectivas. Por um lado, não importam as dificuldades, sempre se tem que continuar vivendo o amanhã. Por outro, diferente dos jogos, na vida não há uma segunda chance após a morte. O livro aborda o luto e a importância de aproveitar os momentos.

A apresentadora alerta que o livro é classificado para maiores de 14 anos e contém os seguintes gatilhos (tópicos sensíveis): luto (morte), violência armada, uso excessivo de álcool e drogas, e relacionamento abusivo.

Conclusão e Leitura da Página 31

Júlia conclui que o livro é um 'prato cheio' para quem quer conhecer mais sobre jogos, para quem gosta de livros com personagens reais, mensagens fortes (com frases memoráveis) e uma leitura divertida. Após a resenha, ela realiza a tradicional leitura de um trecho do livro ('Leitura da Página 31'), no qual Sadie e sua mãe conversam no carro sobre um menino que sofreu um acidente de carro horrível (inferindo-se ser Sam), e sobre como foi especial ele ter conversado com Sadie, já que ele mal falava com ninguém desde o acidente.