Alan Albuquerque | Você pode ser bom… mas do jeito que você se apresenta, ninguém leva a sério.

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Introdução: A Jornada de Alan Albuquerque – Do Bairro ao Maior Salão do Mundo

No episódio do podcast Confraria Cast, Manuel Edésio recebe Alan Albuquerque, um profissional da beleza que construiu uma trajetória de superação, resiliência e sucesso. Alan, filho de dona Jira e seu Carlos, pai de sete filhos, nasceu na zona sul de São Paulo (São Luís) e passou parte da infância em Uberaba (MG) em uma missão evangelizadora da família. Aos 16 anos, retornou a São Paulo. Hoje, aos 50 anos, é casado há 29 anos com Simone e pai de Gabriel (27), Letícia (25) e Pietro (18). Alan é um exemplo vivo de que não existe sucesso sem processo e de que qualquer pessoa que mire em um alvo e não desista dele pode vencer.

Os Primeiros Passos: Da Mecânica e Gráfica para a Descoberta da Profissão

Influenciado pelo tio Laércio, Alan inicialmente seguiu a área de mecânica automotiva, chegando a se formar na profissão. No entanto, o dinheiro não era suficiente. Uma tia o indicou para trabalhar em uma gráfica (Imprensa da Fé), onde começou “batendo caixa” e carregando livros. Ele foi galgando posições na empresa, chegando a operador de máquinas gráficas com um bom salário para a idade (23 anos). Mas não era feliz: sentia que apenas apertava botões e regulava máquinas. Foi nesse período que, em uma brincadeira entre amigos, compraram uma máquina de cortar cabelo na Rua 25 de Março e começaram a cortar o cabelo uns dos outros. Alan gostou da atividade e percebeu que ali havia uma paixão ainda não explorada.

Aos 23 anos, tomou uma decisão radical: largar um emprego estável e bem remunerado para se tornar cabeleireiro. A família e os amigos o chamaram de louco, mas Alan estava decidido. Ele se inscreveu em uma academia de cabeleireiros (Teruia) e se dedicou integralmente, enquanto sua esposa Simone sustentava a casa. O processo de transição foi doloroso e durou de 2 a 3 anos, com contas apertadas e questionamentos internos. Alan já havia vendido sorvete e virado carro no zoológico em Uberaba aos 14 anos, e nunca mais alguém comprou um tênis ou pagou uma conta para ele. Ele sabia que tinha coragem e perseverança, e contava com uma fé inabalável em Deus para guiar suas decisões.

A Primeira Grande Oportunidade: A Gana de Trabalhar e a Entrada no Salão Lastra

Após dedicar-se aos estudos, Alan decidiu que queria trabalhar no melhor salão de São Paulo. Na época, o salão Lastra (próximo ao Sumaré) era referência, frequentado por artistas e famílias da alta sociedade. Alan comprou a melhor roupa branca que podia, foi ao salão e pediu para falar com o proprietário, Rodrigo de Lastra. Chegou às 8h da manhã e só foi atendido às 20h. Rodrigo olhou para ele, fez um sinal para a mãe e disse: “Está vendo? É isso que as pessoas não têm hoje: essa gana de querer trabalhar.” Alan estava disposto a trabalhar de graça, sem salário, só para ter a oportunidade de mostrar seu valor. Ele foi contratado e ali começou sua história nos grandes salões.

Alan observa que, hoje, as pessoas querem a oportunidade, mas não querem passar pelo processo. Ele é duro nesse ponto: não beneficia ninguém por amizade ou indicação sem que a pessoa respeite o processo e as dificuldades. “Todo mundo tem que respeitar um processo e seguir o processo. Mas vai vencer se seguir o processo.” Essa filosofia o acompanha até hoje, tanto na sua carreira quanto na forma como gerencia sua equipe.

O Poder do Relacionamento: Servir e Plantar para Colher

Alan sempre acreditou que não tinha dinheiro para pagar nada, mas podia doar sua mão de obra e seu tempo. Ele se oferecia para ajudar profissionais famosos, mesmo sem receber, segurando grampos e auxiliando no que fosse preciso. Um desses profissionais foi Paulo Peril, um dos cabeleireiros mais famosos do Brasil. Alan disse a ele: “Só quero segurar grampo para você, não precisa me pagar.” Mais tarde, Paulo Peril se lembrou de Alan quando foi trabalhar no salão MG Hair Design, o mais badalado do Brasil na época. Ele ligou para Alan e disse: “Você não corta cabelo?” Alan respondeu que sim. Paulo então perguntou se ele queria cortar o cabelo do Marco Antônio de Biaggi. Alan achou que era loucura, mas aceitou o teste. Ficou 8 anos atendendo Marco Antônio e outros grandes nomes.

Alan também compartilha uma história de como, em um momento de incerteza profissional, um gesto simples de ter ajudado alguém lá atrás resultou em uma ligação que mudou seu rumo. Ele aprendeu que a humildade e a simplicidade abrem portas. Hoje, Alan é conhecido por dar acesso a pessoas que não têm contato com grandes personalidades. Ele faz isso porque, no passado, revoltou-se com a falta de acesso e decidiu que seria diferente. “Eu não cuido de clientes, eu cuido de pessoas. E as pessoas se tornarão meus amigos.” Essa abordagem gerou um ciclo virtuoso de amizades e indicações.

O Perigo do Ego e a Importância de Ficar Preparado

Alan alerta sobre o ego, a fama e o dinheiro que vêm com o sucesso. Ele viu muitos profissionais talentosos subirem rapidamente e, por não controlarem o ego, caírem da mesma forma. A internet transformou cabeleireiros em celebridades da noite para o dia, mas muitos não estavam preparados para lidar com a fama e as finanças. Alan recomenda que os profissionais se vejam como empregados do seu próprio salão, com disciplina financeira e visão de negócio. “Você não ganhou R$ 1.000; esses R$ 1.000 pertencem à empresa.” A falta de preparo financeiro e emocional destrói carreiras.

Após certo sucesso, Alan se achou o “bambam” e resolveu trabalhar a domicílio, mas quebrou a cara novamente. Percebeu que, trabalhando sozinho, perdia a sensibilidade do que estava acontecendo no mercado, as novidades e a imprensa. Decidiu voltar para os grandes salões, com o pensamento: “Eu posso não ser o melhor, mas vou viver com os melhores, porque isso automaticamente vai me projetar.” Ele abriu mão de festas de criança, aniversários, churrascos, viagens de fim de ano, velórios, e até de acompanhar a vida escolar dos filhos mais velhos. Foi um período de plantio intenso, com a consciência clara de que o sacrifício era necessário para chegar onde queria.

A Metáfora do Alvo e do Processo: Talento vs. Esforço

Alan ensina que a maioria das pessoas não vence porque não sabe para onde está indo (não tem um alvo). Ele define um alvo claro (por exemplo, ser cabeleireiro do presidente da República e da seleção brasileira) e não desiste até atingi-lo. No caminho, ele sabe que haverá dificuldades, atritos e pedras. Quando o caminho aperta, ele entende que está mais perto do alvo. O problema é que muitos desistem exatamente quando o caminho fica mais estreito e sinuoso.

Alan diferencia talento e esforço. Ele se considera um “Cristiano Ronaldo da vida”: não nasceu com o dom, mas trabalhou duro para entregar o melhor resultado. “Se o talentoso não for focado, ele será atropelado pelo esforçado.” Alan fala que é chato com seus irmãos e com as pessoas próximas porque sabe que a vitória é possível para qualquer um que mire no alvo e não desista. Ele dá o exemplo de alguém que, aos 48 anos, decide se tornar médico e precisa de 15 anos de estudo: a pergunta não é se vai ficar mais velho, mas sim se está disposto a passar pelo processo.

Chegada ao Romeu Concept: Conexões e Relacionamento

Alan conta como chegou ao Romeu Concept, o salão do cabeleireiro Romeu Felipe (considerado o maior cabeleireiro do mundo, segundo o Guinness Book). Antes, ele trabalhou no Estúdio W (Shopping Cidade Jardim) por 10 anos, onde chegou a duvidar de sua capacidade técnica, mas cresceu imensamente. Saiu do Estúdio W no auge, porque não gostava da zona de conforto. Uma gerente que trabalhou com ele no Estúdio W foi trabalhar com Romeu e o lembrou. Romeu já havia conversado com Alan um ano antes sobre abrir um salão, mas não era o momento certo. Quando Alan saiu do Estúdio W e estava negociando um ponto para montar seu próprio salão, recebeu uma ligação: “Vem conhecer o salão.” O salão estava em obras, e Alan escolheu seu lugar. Começaram com 27 pessoas e hoje são 700 funcionários, com duas unidades (Avenida Brasil e Shopping Cidade Jardim).

Alan enfatiza: o que o levou ao Romeu Concept foi relacionamento. Ele também destaca que Romeu, após ter problemas com sócios no passado, teve a coragem de dar o passo e abrir seu próprio negócio. Romeu, vindo de Pernambuco, tornou-se o primeiro cabeleireiro brasileiro a ser reconhecido como o maior do mundo. Alan se orgulha de fazer parte desse time.

Resultados e Transformações: O Poder da Aparência

Alan acredita no poder da aparência. Ele observa que as pessoas julgam pela roupa, pelo relógio, pelo corte de cabelo. Profissionais bem-sucedidos, grandes empresários, muitas vezes chegam até ele “prontos” profissionalmente, mas falta um toque no visual. Alan faz questão de ajudar, sugerindo cortes, roupas sob medida, sobrancelhas, e até procedimentos estéticos como preenchimento e botox. Ele sempre entrega as dicas em doses homeopáticas para não assustar o cliente, mas o resultado é perceptível: a esposa nota, os colegas de trabalho notam, a autoconfiança aumenta.

Manuel compartilha uma história pessoal: uma vez, em uma recepção, a atendente estranhou sua foto no Instagram (cabelo arrumado) com sua aparência real (cabelo bagunçado). Ela quase não o reconheceu. Isso mostra como a imagem e o cuidado com a aparência rotulam e impactam a forma como os outros nos tratam. Alan explica que, ao transformar um cliente, ele sempre deixa uma “zona de conforto” para que o cliente consiga reproduzir o visual em casa, não dependendo apenas do salão.

Projetos Atuais e Futuros: Educação Digital e Internacionalização

Alan expandiu sua atuação. Hoje, além de cortar cabelo, ele palestra em todo o Brasil, ministra cursos representando marcas, participa de eventos como palestrante e influenciador. Ele é diretor de uma academia em Orlando (EUA) – a Master Carreira Instituto – e está internacionalizando sua carreira. Seu projeto mais recente é uma plataforma de educação digital que reúne grandes players do mercado de beleza para dar acesso a pessoas que não têm acesso. Alan acredita que a educação é a única coisa que pode mudar a vida de alguém, permitindo que a pessoa mire em um alvo e bata nele até chegar.

Alan está lançando esse projeto nos próximos meses e considera que será um marco em sua carreira. Ele admite que, no passado, não acreditava ter capacidade para empreender nesse nível, mas 25 anos depois, com muito aprendizado e rede de contatos, o projeto se tornou realidade.

Recado Final e Agradecimentos

Alan finaliza o podcast convidando a audiência a visitá-lo no Romeu Concept (Avenida Brasil, 126) ou seguindo seu perfil no Instagram: @alan.albuquerquekhair. Ele tem duas secretárias para agendar atendimentos e ressalta que, se sua agenda estiver cheia, pode indicar outros excelentes profissionais da equipe. Para Alan, o mais importante é que as pessoas vão além de ser clientes: são pessoas que ele cuida. Manuel agradece a participação, destacando que Alan é um exemplo de que o sucesso vem do processo, da resiliência, do relacionamento genuíno e da disposição de servir. O episódio é encerrado com a mensagem de que o relacionamento conecta pessoas e transforma vidas.