A HISTÓRIA POR TRÁS DAS CANÇÕES | João Alexandre | Starling Cast #302

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Introdução: A Busca pela Originalidade na Música

Neste episódio profundo do Starling Cast, o guitarrista e professor Mateus Starling recebe o renomado compositor, instrumentista e cantor João Alexandre. A conversa mergulha nos bastidores da música brasileira, especialmente no contexto gospel, explorando a trajetória de João, suas influências e sua visão crítica sobre a padronização e a falta de autenticidade no cenário musical atual.

A entrevista começa com uma reflexão sobre a tendência de músicos copiarem uns aos outros, desde o timbre e os pedais de guitarra até a linguagem e a postura. João Alexandre destaca que a música é um presente de Deus e vai muito além de agradar a audiência; ela foi feita para ser bem feita. Ele questiona a religiosidade que pode cegar o artista, citando a dificuldade de enxergar Deus na beleza que existe fora do ambiente estritamente religioso.

Mateus Starling introduz João Alexandre como um dos convidados mais pedidos, um defensor da música brasileira e uma figura importante para a MPB no gospel. João expressa sua gratidão pelo convite e reflete sobre a importância do programa, que já passa de 300 episódios. O episódio foi gravado na Avenida Paulista, em São Paulo, com o apoio da Ortal Prise, e promete uma conversa profunda sobre harmonia, composição e a essência da arte.

A Riqueza e a Diversidade da Música Brasileira

Mateus Starling conta como conheceu o trabalho de João Alexandre, destacando a admiração pela sua abordagem única que mescla a MPB com o gospel. João é um defensor da música brasileira, citando a frase de Kendle Knight: "Somos muito americanos de segunda e menos brasileiros de primeira". Ele explica que a música brasileira não precisa de defesa, pois é maravilhosa e possui 365 ritmos catalogados, além de inúmeras misturas.

João Alexandre descreve o Brasil como um país antropofagicamente cultural, onde as culturas se digerem e se alimentam mutuamente. Ele ressalta a mestiçagem do povo brasileiro e como isso gera uma riqueza musical única. Ele menciona que o Brasil é o país que mais envia missionários para o mundo, o que, segundo ele, é um reflexo dessa diversidade cultural.

Ele conta uma história sobre o músico americano Michael W. Smith, que, ao visitar o Brasil, queria ouvir música brasileira, mas lhe apresentaram uma banda que soava como as que ele já conhecia em seu país. João critica a falta de valorização da própria cultura e a tendência de copiar o que vem de fora, citando sua própria jornada de redescoberta de suas raízes, influenciada por seu avô violeiro e por ritmos como o samba, o maracatu e o tambor de crioula.

Preconceito com Ritmos Nacionais no Meio Cristão

Mateus Starling pergunta se existe preconceito dentro do meio cristão em relação a ritmos vinculados a regiões de terreiro. João Alexandre concorda, mencionando a ideia equivocada de que existe um "ré menor profano e mi maior divino". Ele critica a visão de que a música só é boa se falar de Deus, citando uma frase de Paulinho Nazaré: "Tudo que a gente mais deseja... tudo nasce no mesmo lugar. A fonte de todas as coisas é Deus".

João argumenta que não existe ritmo do diabo ou ritmo santo; a música é uma combinação harmônica que pode ser usada para diversos fins. Ele critica a intolerância com outras religiões, especialmente as de matrizes africanas, e a hipocrisia de ouvir o que é ruim do meio evangélico enquanto se ignora o que é bom fora dele. Ele também menciona a frase de que outros países "colonizam os ouvidos e a mente do brasileiro", um processo que começa no mercado, nas igrejas e nas rádios.

Padronização no Meio Gospel e Reflexões sobre Worship

A conversa se volta para a padronização no meio gospel, especialmente o movimento worship. João Alexandre critica o que ele chama de "biblificação da forma e mundanização do conteúdo". Ele conta a história de um amigo contrabaixista que não é cristão e que, ao dar aula para um aluno que queria estudar "worship", constatou que se tratava apenas de pop rock.

João destaca que a palavra "gospel" nem é brasileira e que, nos Estados Unidos, existe uma distinção clara entre a música gospel e a Contemporary Christian Music (CCM). Ele observa que, embora as igrejas neopentecostais toquem ritmos brasileiros como baião e forró, a maioria parece ter a necessidade de tocar a mesma coisa. Ele cita a música "Sadraque, Mesaque e Abede-Nego" como exemplo de um forró cantado na igreja.

Ele critica a busca por uniformidade, onde todos querem tocar igual, usar os mesmos pedais e até mesmo falar as mesmas palavras para que algo "mágico" aconteça. João defende que Deus é criativo e que cada passarinho canta de um jeito. Ele enfatiza que a música é um presente de Deus e deve ser feita com excelência, não apenas para agradar os outros.

O Sentimento nos Acordes e a Essência da Música

João Alexandre fala sobre sua responsabilidade como músico de ser fiel à música. Ele acredita que os acordes têm sentimento e linguagem, podendo surpreender, entristecer ou alegrar. Ele defende que a melodia deve ser facilmente assimilável e que as igrejas deveriam cuidar do repertório como cuidam da pregação, treinando a banda e ensinando a congregação a ouvir coisas boas.

Ele critica a tendência de santificar a forma e mundanizar o conteúdo, uma herança do catolicismo. Ele brinca que idolatria é pecado e que usar sempre os mesmos quatro acordes (seis, quatro, um, cinco) é uma forma de idolatrar a forma. Ele cita a música "Simple Red" como exemplo de uma música bem feita com apenas dois acordes, mostrando que não é a quantidade, mas a qualidade e o capricho que importam.

João cita a frase de Judy Garland: "Prefiro ser uma cópia fiel de mim mesmo do que uma cópia mal feita de alguém". Ele explica que o processo de encontrar seu próprio jeito de tocar envolve ouvir, copiar, assimilar e, finalmente, criar. Ele critica a busca por elogios como "toca igual a fulano" e defende que o músico deve correr atrás do que sabe fazer, sem tentar ser o que não é.

A História da MPB no Cenário Gospel e Gravadoras

Mateus Starling pergunta sobre a época em que a MPB era mais presente e valorizada no gospel. João Alexandre confirma que pegou essa época e conta que estava presente em uma reunião no Rio de Janeiro onde um publicitário sugeriu mudar o nome de "música evangélica" para "música gospel", criando um selo com esse nome. Ele fez parte da Gospel Records, que gravava todo tipo de música, incluindo MPB, funk e rock.

João observa que a música brasileira já foi mais tocada do que é hoje, e que agora é preciso garimpar para encontrar algo brasileiro bem feito, mesmo fora do mercado gospel. Ele critica a americanização da música gospel, que se tornou mais americanizada do que a música que o próprio povo brasileiro consome. Ele menciona o comentário de Marcos Sales de que a música gospel virou "cópia da cópia".

Ele questiona se o objetivo é fazer sucesso ou música boa, e defende que a excelência é fazer o melhor que se pode com as ferramentas que se tem. Ele cita o exemplo de seu filho, que estuda muito, e a frase de João Bosco: "Quando você tá preparado é ótimo". João também menciona o preconceito que ainda existe, como a vez em que um pastor disse que sua música lembrava "música de barzinho".

Mostrando Caminhos de Rearmonização no Violão

João Alexandre fala sobre seu projeto de regravação do álbum Kendle Knight, produzido por Mackenzie. Ele mostra como rearmonizou a música "Alfa e Ômega", adicionando acordes que causaram espanto. Ele demonstra no violão como uma simples mudança de acorde pode dar uma nova vida à música, mostrando que sempre cabe uma nota a mais, um "sub cinco".

Ele brinca que o "sub" sempre cabe porque o nome já diz. A conversa segue com uma demonstração prática de rearmonização, mostrando a criatividade e o profundo conhecimento harmônico de João Alexandre.

Adoração além do Som: Salmo 150 e Estilo de Vida

Mateus Starling pergunta o que é mais difícil: ensinar o público evangélico a ouvir música brasileira ou ensinar os músicos a acreditarem na própria cultura. João Alexandre acha que o desafio é duplo, pois as pessoas "biblificam a forma". Ele critica a falta de cuidado com o tom para a congregação e a dificuldade de convencer as pessoas de que o Salmo 150 está certo.

Ele imagina como seria um salmista brasileiro, louvando a Deus com cuíca, tamborim e guitarra. João enfatiza que Deus não tem preconceito, nós é que temos. Ele cita o Salmo 19, que fala sobre a adoração no silêncio, e conclui que adoração e louvor não têm a ver com música, mas com vida. Ele alerta que um músico pode ser mediano e ter uma vida linda, ou ser um gênio e ter uma vida feia.

Ele reflete sobre o grande conflito no meio cristão: a religiosidade. Ele conta a história do jovem rico e pergunta aos músicos se estão dispostos a sacrificar tudo para seguir a Jesus. Ele enfatiza que a família está em primeiro lugar, citando o exemplo de Abraham Laboriel, que dedicava tempo à família.

Usando Ritmos Regionais sem Soar Caricato

Mateus Starling pergunta como incorporar ritmos como samba, baião e bossa nova sem soar caricato. João Alexandre responde que é preciso ouvir os grandes nomes de cada estilo, como Luiz Gonzaga, Moacir Santos e Tom Jobim. Ele enfatiza a importância de ter referências e de sair do círculo vicioso de ouvir apenas o que os outros dizem para ouvir.

Ele conta que, quando não está trabalhando com música, prefere ouvir sons da natureza, como passarinhos e chuva. Ele também diz que, ao produzir um trabalho, procura ouvir o que está sendo feito no estilo e, às vezes, percebe que não é a pessoa certa para aquilo, indicando outro profissional. Ele cita o exemplo de quando mandou um trabalho para o pianista Marquinhos Abijalde, que era mais adequado para o estilo pop.

Vencedores por Cristo, Milad e a Transição para a Carreira Solo

João Alexandre fala sobre seu início de carreira, passando pelo grupo Vencedores por Cristo, Grupo Pescador e Milad (Ministério de Louvor e Adoração). Ele conta que começou a carreira solo na virada dos anos 80 para 90, com o álbum "A Partir do Violão".

Ele explica que assumiu a produção de seus trabalhos por perceber que nenhuma gravadora saberia o que fazer com sua música. Ele passou pela Gospel Records e pela Luz para o Caminho, mas não se deu bem com a interferência das gravadoras. Ele decidiu seguir seu próprio caminho, mesmo que isso significasse tocar na noite para sustentar a família. Ele conta uma história engraçada sobre tocar em um bar em Campinas com outros músicos cristãos, onde tocavam cânticos que ninguém sabia que eram cânticos.

João agradece a pessoas como Guilherme Kerr, que o ajudou a começar a trabalhar com arranjos. Ele também relembra um momento de dificuldade financeira, quando ficou três meses sem pagar o aluguel e foi salvo por um trabalho de produção. Ele cita a frase: "A gratidão é memória do coração".

Gravadoras vs. Era Digital e Democratização do Ensino

João Alexandre fala sobre a transição das gravadoras para a era digital, citando o exemplo de Justin Bieber, que surgiu de vídeos na internet. Ele acha que a internet democratizou o acesso, mas a dificuldade de se firmar continua a mesma. Ele critica a pressa das pessoas, dizendo que ele está há 44 anos na estrada e que não dá para correr.

Ele menciona sua plataforma de violão, joaoalexandreonline.com.br, que já passou de 6500 alunos em 9 anos. Ele vê a internet como uma ferramenta maravilhosa para o ensino, mas alerta sobre os desafios do funil de vendas. Ele valoriza a liberdade que a era digital proporciona.

O Músico Cristão Tocando no Mercado Secular

Mateus Starling pergunta sobre a experiência de João Alexandre tocando no meio secular. João responde que, se Jesus não tivesse descido do céu, estaríamos no inferno. Ele acredita que o cristão tem duas opções: influenciar ou ser influenciado. Ele acha que a pessoa tem que sobreviver e tocar, citando o conselho de Gessé Sadoc: "Se você tá precisando mesmo dessa grana, vai, Deus te abençoe. Seja luz e sal lá".

João cita a frase de Abraham Laboriel: "A gente é chamado a construir pontes e derrubar muros". Ele acredita que o limite de atuação está no coração de cada um. Ele conta o caso de uma amiga harpista que entrou na justiça para não tocar uma sinfonia em louvor aos orixás, e o juiz lhe deu ganho de causa. Ele respeita a decisão dela, mas também respeita os outros músicos cristãos que tocaram a mesma sinfonia.

João conclui que o músico não é do mundo, mas está no mundo. Ele tem liberdade de dizer sim ou não, mas ninguém deve dizer ao outro o que fazer.

Cristão Artista vs. Artista Cristão e a Beleza na Arte

João Alexandre se define como um artista cristão, não um cristão artista. Ele acredita que não existe música santa ou advocacia profana; a música é uma arte e um meio para um fim. Ele defende que a arte é poderosa e, nas mãos de um cristão, pode transmitir valores do Reino. Ele cita a música "Paciência" de Lenine como exemplo de uma música que poderia ser um cântico em igreja.

Ele acredita que o desafio do cristão é enxergar Deus naquilo que é belo, pois tudo que é belo vem de Deus. Ele cita Platão: "O poeta é aquele que na sua loucura inspirada recria o belo, destilando verdades divinas". Ele dá o exemplo da música "Eu Sei Que Vou Te Amar" de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, perguntando como alguém pode dizer que isso vem do inferno.

João cita a frase de John Wesley: "O mundo é a minha paróquia". Ele acredita que a igreja não é um lugar, mas quem ele é. Ele tocaria "Eu Sei Que Vou Te Amar" dentro de uma igreja sem medo, pois a música é linda e fala verdades. Ele conta uma história sobre tocar um samba em uma igreja adventista e o pastor pedir para ele não tocar outro.

Acordes Complexos ("Aranhas") e Demonstrações Práticas

Mateus Starling pede para João Alexandre mostrar alguns acordes complexos, as famosas "aranhas". João demonstra vários acordes em seu violão, explicando como eles funcionam e como podem ser usados. Ele toca trechos de músicas como "A Todos pelo Nome" de Sérgio Pimenta e "Descrente" de Sérgio Pimenta, mostrando a beleza e a complexidade da harmonia brasileira.

Ele fala sobre a influência de Conrado Paulino e mostra um acorde que aprendeu com ele. A conversa é intercalada com demonstrações práticas e explicações sobre a construção dos acordes.

Intuição Harmônica, Cifragem e Funções Harmônicas

João Alexandre fala sobre sua relação com a cifragem, dizendo que ela é sempre limitada, pois um mesmo acorde pode ter nomes diferentes. Ele explica que a cifragem é complicada, especialmente no que diz respeito às inversões, que podem levar a caminhos diferentes na improvisação. Ele conta que sua leitura não é muito boa, mas que escreve bem.

Ele menciona que muitos músicos têm um nível harmônico absurdo, mas de forma intuitiva, sem saber nomear os acordes. Ele cita João Bosco e Radamés Gnattali como exemplos. João enfatiza a importância de entender função harmônica, campo harmônico, tônica, dominante e subdominante. Ele sugere que tocar a mesma música em todos os tons é o melhor estudo.

Uso de Cordas Soltas e Abordagem Pianística no Violão

João Alexandre explica sua abordagem no violão, que valoriza o uso de cordas soltas, já que o violão não tem pedal de sustain como o piano. Ele demonstra como usar cordas soltas em acordes presos para criar sonoridades únicas. Ele menciona que alguns pianistas dizem que seu jeito de tocar é pianístico, pois ele prioriza a nota de cima e o baixo, completando o meio depois, uma técnica de voice leading.

Ele conta que ouvir grupos vocais como Singers Unlimited, Take 6, Boca Livre e MPB4 abriu muito sua cabeça para a harmonia e a orquestração. Ele cita Toninho Horta como uma grande influência, especialmente pelo uso de acordes com sétima maior e quinta aumentada.

Influência de Grupos Vocais e Mentalidade Orquestral

João Alexandre aprofunda a influência dos grupos vocais em sua música, mencionando a mentalidade orquestral que desenvolveu ao escrever arranjos para diferentes instrumentos. Ele cita o exemplo de um acorde de Toninho Horta que contém uma sétima maior e uma nona. Ele fala sobre a emoção na música de Steve Ray Vaughan e a importância de ter alma. Ele cita a frase de Adriano Souza: "O seu dó maior é diferente do outro dó maior".

Ele enfatiza a importância de encontrar seu próprio caminho e se libertar da tentação de copiar alguém. Ele cita a passagem bíblica: "Examinai tudo e retende o que é bom". Ele também fala sobre a importância de citar as fontes, mencionando L Delmiro e seu jeito único de estudar.

O Som de Minas, Toninho Horta e a Dinâmica de Tensão/Relaxamento

João Alexandre fala sobre o som de Minas Gerais e a influência de Toninho Horta, destacando a dinâmica de tensão e relaxamento em sua música. Ele demonstra no violão como criar tensão com acordes alterados e depois relaxar. Ele cita a importância de dar tempo ao ouvido e a frase de um maestro: "O ouvido humano capta três coisas ao mesmo tempo com clareza".

Reharmonizando Hinos Tradicionais ("Tu és Fiel")

João Alexandre demonstra como rearmoniza hinos tradicionais, como "Tu és Fiel". Ele toca e canta, mostrando as substituições de acordes e as passagens harmônicas que criam uma nova atmosfera para o hino. Ele menciona a influência de Toninho Horta e a característica brasileira de usar acordes com baixo em notas diferentes.

Álbuns Históricos: De Vento em Popa e Atletas de Cristo

João Alexandre cita o álbum De Vento em Popa, gravado pelos Vencedores por Cristo, como um divisor de águas na música cristã brasileira, onde os compositores começaram a deixar de cantar apenas coisas americanas. Ele também menciona o álbum dos Atletas de Cristo, com composições de Aristeu Pires, que misturava samba e música brasileira. Ele toca trechos de músicas como "Volta, Sobe ao Monte" e "Feliz a Nação".

Crise Criativa, Propósito na Composição e a Verdade nas Letras

João Alexandre fala sobre sua crise criativa, mencionando que sua última composição foi em 2009. Ele cita o consolo de Stênio Marques, que disse que fazer arranjos e harmonias também é composição. João critica a música que se preocupa apenas com o que as pessoas gostam de ouvir, e não com o que elas precisam ouvir. Ele defende que a música deve cantar a realidade e a verdade.

Ele cita a frase de Duke Ellington: "Quando o músico compromete a sua aspiração musical e a rebaixa ao nível das massas desmioladas, ele não está sendo honesto consigo mesmo. Se o dinheiro é mais importante do que a sua música, ele rendeu-se à prostituição". João questiona se o sucesso é mais importante do que a arte e a mensagem.

Encontrando a Própria Voz e Identidade Musical

João Alexandre reflete sobre a importância de encontrar a própria voz e identidade musical. Ele conta que, no início, tentava imitar os cantores do Boca Livre, mas com o tempo percebeu que precisava ser ele mesmo. Ele se define como um "tocador de violão e cantador", não um violonista ou cantor virtuoso. Ele fala sobre a síndrome do impostor e a importância de ter consciência do quanto não se sabe.

Ele cita a frase de que "a música é a arte do encontro" e defende que nem sempre ele tem que tocar ou cantar em tudo. Ele menciona a carreira de Djavan e Caetano Veloso como exemplos de artistas que encontraram seu caminho e não precisam mais provar nada. Ele também fala sobre a graça de viver do que compôs há 20 ou 30 anos.

A Metáfora do "Avental Branco" e o Compromisso com a Excelência

João Alexandre compartilha uma crise recente que o fez pensar em parar de tocar. Ele conta a metáfora do "avental branco", que ouviu de um psicólogo. A história fala de uma enfermeira freira que dizia que o avental branco serve para o doente ver que o profissional está são. Toda vez que o avental suja, ele deve ser trocado. João entendeu que precisava "lavar seu avental", ou seja, não se deixar contaminar pelas coisas ruins ao seu redor.

Ele fala sobre a luta contra a mediocridade e a importância de competir com a excelência, não com o que é ruim. Ele critica a busca por popularidade a qualquer custo e a superficialidade de conteúdo. Ele cita a frase de Dori Caymmi: "Esse não foi o país que me prometeram".

Crítica Social, Política nas Canções e Liberdade Artística

João Alexandre fala sobre suas letras com teor político e social. Ele defende que o político deve ser cobrado, não execrado nem idolatrado. Ele conta que entrou na justiça contra um candidato que usou sua música "Brasil, Olha para Cima" sem permissão. Ele critica a politização da música e a tendência de tratar política como futebol.

Ele também fala sobre a música "Enquanto o Domingo Ainda For Nosso Dia Sagrado", que critica a hipocrisia e a injustiça social. Ele se define como um "pátria da igreja" e diz ter liberdade para criticar quando vê algo errado. Ele menciona a música "É Proibido Pensar" e a reação de sua esposa, que disse que ele iria "fazer uma limpa".

O Impacto das Mensagens e a Fase Atual de Vida

João Alexandre reflete sobre o impacto de suas mensagens e as consequências de suas opiniões. Ele cita o livro "Benefício da Dor" para explicar que a dor é um sinal de que algo está errado no corpo. Ele fala sobre a importância de ser parte do corpo e reclamar quando algo está errado.

Ele conta que, por causa de suas opiniões, algumas pessoas deixaram de chamá-lo, mas ele se adapta a qualquer contexto. Ele cita o exemplo de ter cantado com Álvaro Tito e a importância de ter música para todo gosto. Ele critica a ignorância das próprias raízes e a tendência de cantar "aquelas coisas de sempre".

Técnica, Superficialidade e Popularidade na Internet

João Alexandre critica a música evangélica atual, dizendo que ela duplicou em qualidade técnica e quintuplicou em superficialidade. Ele observa que antigamente alguém se tornava conhecido porque era bom, hoje muitas vezes presume-se que alguém é bom porque ficou conhecido. Ele critica a cultura de seguidores e a viralização, citando o exemplo de um vídeo de minhoca no anzol com 6 milhões de seguidores.

Ele alerta sobre o perigo de seguir a multidão e cita o exemplo de Adolf Hitler, que tinha muitos seguidores. Ele defende que o certo é certo, mesmo que todos achem que é errado. Ele também fala sobre a importância da conexão ao vivo e da arte do encontro.

Análise Harmônica e Execução de "Verde"

João Alexandre analisa a harmonia da música "Verde", gravada por Leila Pinheiro, e mostra como ele a rearmonizou. Ele toca e canta, explicando as escolhas harmônicas e a influência de Toninho Horta. Ele fala sobre a frase de Eduardo Gudim: "Um foco de luz seduz a razão", que tem a ver com a busca por popularidade. Ele conclui que é preciso estar bem com Deus e entregar o trabalho a Ele, pois o ouvido de Deus é eclético.

A Virada de Chave no Digital e Conexões Musicais

João Alexandre agradece a Nelson Faria pelo convite que virou a chave para sua entrada no digital. Ele conta que sempre foi fã de Nelson e que descobriu muitas coisas em comum com ele. Ele fala sobre a importância de ter saído das paredes da igreja e ser respeitado como cristão lá fora. Ele menciona uma mensagem que recebeu do sambista Picclis, elogiando suas aulas no Instagram.

Ele agradece aos meninos de sua banda, incluindo seu filho Felipe, e à sua esposa. Ele cita a frase de Fernando Melino: "Você já ouviu meu CD?" e a importância de saber o tamanho da música. Ele fala sobre a entrega e a excelência, citando o exemplo de Pat Metheny, que ensaia meses e acerta uma a cada 10 shows.

Gratidão à Banda, aos Parceiros de Estrada e à Família

João Alexandre expressa sua gratidão à sua banda, incluindo Felipão Bachista, Osmário e seu filho Felipe. Ele agradece à sua esposa, que sempre o incentivou. Ele fala sobre a importância de ter alguém que o ouça e o incentive, citando a frase de Tom Jobim: "Não é impossível ser feliz sozinho".

Ele conta uma história sobre um técnico de estúdio que não deu palpite sobre seu som, e como isso o fez duvidar de seu violão. Ele reflete sobre a importância do conjunto e da colaboração.

Cursos e Plataformas de Ensino de João Alexandre

João Alexandre fala sobre sua plataforma de ensino, joaoalexandreonline.com.br, que já tem 9 anos e mais de 6500 alunos. Ele tem dois cursos: "Harmonia, Acordes em Harmonia" e "TTM, Transformando Teoria em Música". O primeiro é um curso confessional, que fala do amor de Deus e rearmoniza canções de compositores cristãos. O segundo ensina teoria de um jeito leve e descomplicado.

Ele agradece ao seu sócio, Alexandre, e convida a galera a estudar em sua plataforma. Ele também menciona seu Instagram, João Alexandre Silveira, e seus álbuns no Spotify. Ele fala sobre o show "Kendle Knight" e o DVD gravado no Mackenzie. Ele conclui agradecendo a Mateus Starling pelo convite e desejando a todos uma bênção.